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Carlos Lupi agora culpa memória fraca

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O ministro Carlos Lupi (Trabalho) atribuiu a falhas de memória as versões desencontradas sobre sua viagem ao Maranhão em 2009. Em depoimento no Senado, ele admitiu ontem pela primeira vez ter usado um avião particular indicado por empresário com convênios em sua pasta, fato que vem sendo usado pela oposição para pedir sua demissão.

Segundo a revista “Veja”, Lupi fez viagem pelo Estado a bordo de um avião King Air “providenciado” pelo empresário Adair Meira, que controla duas ONGs beneficiadas com convênios do ministério.

O tom da fala de Lupi agradou o Palácio do Planalto. Segundo assessores presidenciais, ele foi “comedido”, evitou “enfrentamentos” e conseguiu conter, por enquanto, a pressão pela sua saída. O desejo de Dilma é, caso não surjam fatos que compliquem o ministro, mantê-lo até a reforma ministerial, quando tende a retirar o Ministério do Trabalho do PDT.

Em seu depoimento à Comissão de Assuntos Sociais do Senado, Lupi disse que sua memória “falhou” na semana passada, quando negou relacionamento com o empresário Adair Meira.

“Tenho uma memória boa, mas ela falha. (..) Eu não registrava o nome dele naquele momento (..) Quantos ministros e deputados podem ter usado avião em atividades rotineiras de quem não conhece? Meu erro foi não checar com a apuração que devia”, afirmou o ministro.

Na semana passada, na Câmara, Lupi havia dito não ter nenhuma relação com Meira. “Não tenho absoluta nenhuma relação com - como é o nome? Seu Adair. Nunca andei em avião pessoal, nem dele nem de ninguém”, disse.

Ontem, ele afirmou que conheceu Meira na data da viagem, mas não disse quem pagou o voo: “O próprio diretor da instituição, seu Adair, diz que quem solicitou a ele foi o seu Ezequiel (Nascimento, ex-secretário de Políticas Públicas do Trabalho) e que não pagou. Compete ao seu Ezequiel ou à empresa de táxi aéreo informar quem pagou. Só sei que eu não paguei”.

Apesar dos sinais do Planalto em favor de uma sobrevida, a reunião mostrou o isolamento do ministro. Sem a presença do líder do governo Romero Jucá (RR), a reunião foi marcada pela ausência de outros líderes aliados, como Humberto Costa (PT-PE).

Mesmo presentes, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Gim Argello (PTB-DF) não defenderam Lupi. Dois dos três senadores do PDT presentes, Cristovam Buarque e Pedro Taques, sugeriram que Lupi se afastasse. Coube ao líder do PDT, Acir Gurgacz (RO), e aos senadores do PC do B a tarefa de defender o ministro.

 

Ministro teve diária

Brasília - O ministro Carlos Lupi (Trabalho) recebeu R$ 1.736,00 de diária em viagem ao Maranhão em dezembro de 2009 em que cumpriu agendas partidária e oficial. Ele é presidente licenciado do PDT.

Ontem, em audiência no Senado, Lupi disse que pode devolver as diárias se o pagamento for considerado ilegal pelo governo. A Controladoria-Geral da União (CGU) ainda não analisou o caso.

O assessor especial do ministro Fabio Borges de Almeida também recebeu diária, no valor de R$ 1.209,00, para acompanhá-lo na viagem. Os dados são do Siafi (sistema de acompanhamento de gastos do governo federal).

Segundo o ministério, a viagem ocorreu de 11 a 13 de dezembro de 2009 (sexta, sábado e domingo). As diárias compreendiam o período de 10 a 14 de dezembro, quinta a sábado.

Um ex-assessor do ministro que participou da viagem disse que Lupi cumpriu agenda de trabalho na sexta-feira e no sábado pela manhã. No restante do dia e no domingo, ele participou de compromissos partidários. O ministério não deu detalhes sobre agenda do ministro.

As diárias servem para cobrir gastos com alimentação, hotel e locomoção de servidor público. Senadores do DEM cobraram ontem do ministro a devolução das diárias, já que ele afirma ter cumprido agenda partidária. “Se tiver irregular eu devolvo”, afirmou Lupi.

 

 

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