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Grupo ocupa Parque Vitória Régia em apoio à manifestação mundial contra sistemas políticos

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Em barracas de lona, ao som de um violão e com muitos argumentos, desde o último dia 11 um grupo de 20 pessoas se reveza em um ?acampamento? montado no Parque Vitória Régia, em Bauru, em apoio ao protesto global que ocorre em algumas partes do mundo contra o sistema financeiro vigente e o sistema político. Identificados como "Indignados Bauru", o grupo nomeia a manifestação de "Ocupa Bauru", sem data prevista para acabar.

"Essa é uma manifestação, um projeto de unificação e educação. Esse movimento, com tema ?democracia real?, tem o objetivo de usar filosofia, arte e música para instruir as pessoas e criar um pensamento crítico sobre o porquê das coisas serem como são e as formas de melhorar isso", diz Carlos Eduardo Assano, 22 anos, proprietário de uma agência de comunicação em Bauru que ontem fazia seu turno no acampamento, junto a Felipe Antonio de Oliveira, 23 anos, e Aguinaldo Lemes de Oliveira, 29 anos, morador do Paraná.

No local, alguns livros, jogo de tabuleiro e instrumentos musicais estão próximos às barracas de lona, à disposição de quem passar pelo local. Uma das barracas foi identificada como espaço para o fórum para discussão sobre política.

"Não queremos arrumar briga com ninguém, mas estamos procurando formas de melhorar e executar a democracia de verdade, que é o povo decidindo o que é melhor para o povo. Queremos inverter essa pirâmide capitalista, onde o Estado e os bancos são mais poderosos que o povo, e colocar o povo no topo da pirâmide", defende Assano.

"Visita"


Segundo ele, o grupo não tem previsão para deixar o espaço, apesar da ?visita? feita anteontem pelo secretário de Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalves da Silva, que alertou para a irregularidade da ocupação.

"Entramos em contato com advogados, que não vão aparecer, mas que fizeram uma carta de notificação à prefeitura da nossa movimentação. E temos as leis que nos defendem, como o artigo 5 da Constituição, que garante que podemos ficar aqui, desde que não haja degradação do meio ambiente, que é o que está acontecendo", defende Assano.

No espaço, de acordo com ele, serão oferecidas oficinas de circo, arte, serigrafia e de brincadeiras tradicionais para crianças. O grupo também planeja oferecer palestras e assembleias públicas no local.

A escolha pela ocupação do parque, embora de menos visibilidade, segundo os membros do grupo, ocorreu devido ao clima de tranquilidade que existe no local. "Aqui as pessoas vêm para ficar e meditar."

Prefeitura espera saída pacífica

O titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) de Bauru, Valcirlei Gonçalves da Silva, diz que comunicou ao grupo que a permanência deles no Parque Vitória Régia, da forma como vem ocorrendo, é incorreta e deu prazo até hoje para que os jovens deixem o local.

"Conversei com eles e disse que o acampamento no parque não é permitido, e orientei para que agendem uma reunião com o prefeito Rodrigo Agostinho para que possam discutir sobre as reivindicações", explicou Silva.

O secretário explicou que fará ainda a notificação por escrito, na expectativa de que a saída do grupo seja voluntária, para depois acionar o departamento jurídico da prefeitura e tomar as medidas que forem necessárias, já que para usufruir do espaço público é preciso comunicação prévia e autorização.

"Acreditamos na boa vontade dos jovens. Entendemos que eles têm seus motivos, mas não podemos deixar que as coisas saiam do controle", concluiu o secretário.

Movimento global

O chamado protesto global mobiliza grupos e movimentos sociais em várias partes do mundo, desde o mês passado. Ações vêm sendo registradas nos Estados Unidos, como a ocupação de Wall Street, e na Europa (Londres, Espanha e Portugal tiveram manifestações). Segundo sites de notícias do Brasil, o manifesto chegou a 950 cidades de 82 países.

O dia 11 desse mês, por sua simbologia (11 do 11 de 2011), serviu como reforço para a mobilização dos grupos, organizada através das redes sociais. Em São Paulo, cerca de 150 pessoas montaram um acampamento sob o Viaduto do Chá, no Vale do Anhangabaú, no final do mês passado.

Nos Estados Unidos, no início desta semana, manifestantes montaram barracas na Universidade de Califórnia, em Berkeley, depois que policiais retiraram um acampamento "anti-Wall Street" que começava a ser montado no local.

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