O preço do feijão não foi muito remunerador neste ano. O resultado foi que os produtores de menor porte e com custos elevados fugiram da cultura para as de soja e milho, mais remuneradoras.
O resultado foi a redução de até 30% na área semeada com a leguminosa na primeira safra do Paraná, Estado que lidera a produção.
O lado bom nesta safra é que parte da queda de área será compensada pela maior produtividade, já que os produtores que ficam no mercado utilizam mais tecnologia, principalmente irrigação.
O lado ruim para os consumidores é que, mais capitalizados, esses produtores impõem preços maiores ao mercado e têm fôlego para balancear a oferta de feijão.
Os reflexos desse cenário de produção menor e preços maiores vão chegar ao bolso dos consumidores e, em seguida, às taxas de inflação.
A avaliação é de Vlamir Brandalizze, da Consulting Brandalizze, de Curitiba (PR).
Fuga
A fuga dos produtores de feijão para a soja ocorre porque esta última tem risco e custo menor para produção e maior produtividade.
A opção pelo milho ocorreu porque as exportações aumentaram, segurando os preços em bons patamares. Produtividade maior por hectare e bons preços garantem ao milho uma das maiores remunerações do setor, diz Brandalizze.
O analista acredita, ainda, que o próximo ano será um período de elevação do consumo de produtos básicos, como arroz e feijão.
Neste ano, esses produtos tiveram a concorrência das carnes, principalmente a de frango, que esteve com valores reduzidos até há um mês.
A saca de feijão carioquinha teve média entre R$ 80 e 120 neste ano, mas deverá superar R$ 200 no próximo ano, segundo estimativas de Brandalizze.
Pesquisa da Folha de S.Paulo indica que os preços já começam a reagir, chegando a R$ 150 em algumas regiões produtoras.
Semana do açúcar
São Paulo terá a próxima semana dedicada a açúcar e etanol. Nos três primeiros dias, o setor participa de eventos da Datagro, avaliando perspectivas para 2012.
A partir de quinta, ocorre o evento do Sugar Club, que promove o "sugar dinner". Esse evento, que será em um navio, servirá para mostrar ao setor que "estamos todos no mesmo barco", diz Alexandre Aidar.
Aidar diz o setor tem de fazer um planejamento responsável para a década. Entender, ainda, que está em um setor agrícola, que depende de clima.
A busca por novos mercados e a necessidade de diplomatas cada vez mais preparados para as negociações internacionais fizeram os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores promover uma "imersão" desses profissionais no setor do agronegócio.
Na segunda-feira, um grupo de 18 diplomatas tem encontro com Mendes Ribeiro Filho, da Agricultura, em Brasília.
Em seguida, o grupo passa por propriedades rurais e unidades de processamento de carnes bovina, suína e de frango. Produção de etanol e de vinho também constam da lista de visitas.