Aceituno Jr. |
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A cidade de Bauru teve um crescimento de 51,2% no saldo de vagas de emprego em outubro na comparação com setembro |
Na contramão do minguado desempenho nacional (leia mais na página 20), Bauru registrou recorde no nível de emprego para esta época do ano. No mês passado, a cidade criou 1.163 novos postos de trabalho com carteira assinada, o maior saldo de todos os meses de outubro desde 1999, quando o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho foi criado.
Em relação a setembro, o crescimento foi de 51,2% e, na comparação com outubro do ano passado, de 11,8%. Já em âmbito nacional, a variação do nível de emprego sofreu queda de 39,7% em relação ao mês anterior e de 38,4% ante a outubro de 2010.
Uma das explicações para um desempenho tão superior ao do resto do país é que Bauru, calcada no setor de serviços, acabou criando uma espécie de blindagem contra a crise internacional que ainda provoca reflexos na economia brasileira, conforme argumenta o economista Reinaldo Cafeo. “O quadro de funcionários de empresas como as de recuperação de crédito, escritórios contábeis, da área de saúde e educação não é afetado diretamente em situações de crise, ao contrário do que ocorre com a indústria, que é a primeira a demitir. São serviços que não deixam de ser demandados pela população”, pondera.
Além do setor terciário, que manteve seus níveis de contratações estáveis e positivos ao longo de todo o ano, Cafeo cita o comércio e a construção civil - que demonstrou recuperação após seis meses de resultados negativos - como responsáveis pela boa performance da cidade. “É uma situação antagônica, porque o setor de serviços e comércio são os que pagam os menores salários. Mas, em tempos de crise, conseguem garantir por mais tempo o emprego dos trabalhadores”, comenta.
Antes de outubro, a abertura de novas vagas em Bauru neste ano só havia sido maior em abril, quando foram criados 1.213 postos de trabalho. Foi esta condição favorável que garantiu um emprego de empacotadora à jovem Michele Melo Cardoso, 21 anos.
Contratada no mês passado, ela ficou por quase um ano à procura de emprego e, agora, com a garantia de um salário de R$ 609,00, vai poder ajudar os pais a sustentar seu filho, de apenas 5 anos. “Moro com eles, mas não me sinto bem em depender de pai e mãe para tudo. Pelo menos, tenho um dinheirinho para comprar alguma coisa que eu e meu filho precisarmos”, comemora.
Além de Michele, a gerente Luciane de Almeida Afonso contratou outros dois novos funcionários para trabalhar na loja de confecções que comanda no Calçadão da Batista de Carvalho. Em agosto, efetivou uma vendedora e, em setembro, um estoquista.
Otimismo
E, neste mês e no próximo, a tendência é de que o ritmo de contratações acelere ainda mais, principalmente devido ao emprego de funcionários temporários necessários para dar conta das vendas de final de ano, conforme avalia o titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari. “Trata-se da melhor época para o comércio, que está bastante otimista, com uma expectativa de ótimos resultados para este Natal”, pontua.
Mas, além do comércio, a construção civil também voltou a contratar, depois de um período de seis meses de desaceleração. Para o secretário, o setor foi prejudicado por conta de um temor instalado em virtude da crise, que não chegou a comprovar algum efeito real no bolso dos consumidores.
“Na verdade, foi um efeito psicológico. As pessoas ficaram cautelosas e deixaram de fazer negócios. Agora, vendo que o mercado não mudou, elas estão retomando a confiança para comprar imóveis”, detalha.
Conforme destaca economista Reinaldo Cafeo, a liberação de crédito por meio do Sistema Financeiro de Habitação cresceu 30% no primeiro semestre deste ano no Brasil, o que demonstra a manutenção do apetite dos investidores imobiliários, principalmente de uma elite que encontrou neste ramo uma forma de multiplicar seu capital.
“A desaceleração dos últimos meses foi normal diante do crescimento vivenciado nos anos anteriores. Mas ainda o setor ainda conta com um forte mercado comprador, uma série de linhas de financiamento e muitas obras. Por um bom tempo, emprego nessa área não vai faltar.”
Serviços e construção civil
Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o setor de serviços foi o principal responsável pelo bom resultado do nível de emprego em outubro, em Bauru. Com 3.031 contratações e 2.470 demissões, o segmento registrou um saldo de 561 novos postos de trabalho com carteira assinada.
A construção civil teve o segundo melhor desempenho, com a abertura de 306 vagas, resultado de 830 admissões e 524 desligamentos. Já o comércio, em terceiro, contratou 1.518 pessoas e demitiu 1.336, gerando 182 postos. A indústria, por sua vez, respondeu por 674 admissões e 592 desligamentos, num total de 82 novas vagas abertas.
O Caged é uma pesquisa mensal sobre o comportamento do mercado formal de trabalho. Os dados da pesquisa são obtidos a partir de informações enviadas pelas empresas ao Ministério do Trabalho sobre admissões e demissões de funcionários.
Brasil abaixo da meta
Após divulgar os dados da geração de empregos formais no país no mês de outubro, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou que o país não deve atingir a meta de geração de 2,7 milhões de empregos para este ano, por conta dos reflexos da crise internacional. Ele, no entanto, não fez uma nova projeção.
Em setembro, o ministro havia dito que a meta anterior de 3 milhões de novos empregos não seria cumprida e que, naquele momento, o patamar seria reduzido para algo entre 2,7 milhões e 3 milhões de empregos. Até o momento, considerando o acumulado até o mês de outubro, foram abertas 2,241 milhões de vagas de trabalho com carteira assinada no Brasil, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
