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Após reclamações, CPFL fará modificações no site

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Após a sequência de golpes aplicados em diversas regiões de Bauru por homens vestidos como funcionários da CPFL Paulista, consumidores afirmam que a falta de segurança do site da empresa facilita a ação de criminosos. Para especialista em segurança digital, as falhas na página virtual são realmente graves. Acionada pela reportagem do JC, a empresa respondeu que serão feitas adequações.

O alerta foi feito pelo consumidor Miguel Bernardes Damasceno, que, após ler as recentes reportagens veiculadas pelo JC sobre os crimes cometidos por falsos funcionários da companhia, passou a questionar a segurança do site da empresa. Segundo ele, é possível conseguir informações confidenciais de vários consumidores por meio do site.

A falha estaria na seção da página virtual que possibilita ao consumidor acessar informações básicas sobre seu cadastro, como o nome completo, endereço, telefones de contato, e-mail e até imprimir uma segunda via da conta.

Esta seção está teoricamente protegida e somente poderia ser acessada por meio do código do consumidor, que vem impresso na conta de energia elétrica de cada consumidor. "Pelo meu número, eu vou mudando os dígitos e encontrando as informações de terceiros. É uma sequência muito simples", relata Miguel Damasceno que, por e-mail, enviou ao JC várias informações sigilosas de terceiros que teria conseguido por meio do site.

Seriam exatamente essas informações que estariam sendo usadas em alguns dos golpes. Conforme o JC divulgou na última sexta-feira, um comerciante no Parque Santa Cândida quase foi sequestrado por um homem que estava com uniforme e crachá da CPFL. Segundo a vítima, o criminoso sabia da existência de contas em atraso e de dados sigilosos do estabelecimento alvo.

A reportagem realizou os testes citados pelo consumidor alterando as sequências numéricas no código do consumidor. Em poucos minutos, realmente foi possível obter dados de clientes da CPFL de Bauru e de outros municípios como Lins, Piracicaba e Araraquara.

A assessoria de comunicação da companhia disse que, "após uma série de testes e simulações, foi constatado em um desses serviços (do site) um problema de validação de acesso e, por esta razão, estamos adequando-o para que seja solucionada a questão", respondeu em nota enviada por e-mail.

Sobre o funcionamento de sua página virtual, no endereço www.cpfl.com.br/paulista, afirma que "o acesso ao site pelos clientes é uma das formas mais ágeis e eficientes de contato e relacionamento com a empresa, sendo este um ambiente seguro.

Neste endereço, são oferecidos 19 tipos de serviços aos clientes residenciais, desde a solicitação de uma nova ligação como a obtenção de uma segunda via da fatura de consumo. Atualmente, o site de serviços é o canal de relacionamento da empresa com maior número de atendimentos. Em caso de dúvidas, o consumidor pode ligar para 0800-0101010.

Critérios mais seguros

O advogado e perito digital José Antonio Milagre confirmou os receios dos consumidores. Segundo ele, a falha apresentada no site da CPFL é "gravíssima" e pode até gerar ações indenizatórias.

"Nesses métodos de formulários, precisaria ser exigido, além do código do consumidor, um outro critério de autentificação, como uma senha pessoal, um outro código randômico ou, em casos mais avançados, uma identificação como a biométrica", afirma.

Ele explica que alguém com um pouco mais de conhecimento de Internet pode maximizar a obtenção desses dados facilmente obtidos tanto pelo consumidor que procurou o JC quanto pela reportagem.

Milagre, entretanto, afirma que a falha não é exclusividade da CPFL. "Grande parte das empresas trata de segurança digital como um custo e não como investimento", afirma o perito, destacando ainda que quem se sentir prejudicado pode procurar a Justiça e entrar com um pedido de reparação de danos.

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