Esportes

ATLETISMO: Maratonista realiza sonho de uma vida

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 3 min

Em 3h41min54, Eli Pereira Bezerra realizou o sonho de uma vida transformada pelo esporte. Com esse tempo o atleta nascido em São Paulo representou a cidade de Bauru na 29ª Maratona Clássica de Atenas, na Grécia, no último domingo (13), garantindo a 114ª colocação na classificação geral.

Uma das provas mais longas, desgastantes e difíceis do atletismo olímpico, a maratona é disputada na distância de 42,195 km desde 1908, sendo tradicionalmente o último evento dos Jogos Olímpicos. O glamour da prova que é inspirada na lendária história do soldado ateniense Pheidippides, que teria percorrido uma distância de aproximadamente 40 km entre a planície de Marathónas (palco da batalha contra os Persas) a Atenas para dar a notícia da vitória, faz com que a conquista seja ainda mais emocionante. "Todos nós maratonistas lembramos desse episódio que enobrece ainda mais o difícil feito de completar o trajeto".

Para Eli, a Maratona Clássica de Atenas é mais do que um evento de renome internacional. "É uma corrida muito difícil, um percurso duro de 42.195 metros e que fizemos com uma temperatura de 8 graus e uma sensação térmica de apenas 1 grau. Mais do que uma grande prova, a Maratona Clássica de Atenas liga a lenda com a história e destaca o poder da vontade humana. É um momento muito democrático, pois ali convivemos com diferentes níveis sociais e culturais. Posso dizer que convivemos ali com uma diversidade de valores, de consciência social, de amizade e de solidariedade", afirma.

Para um esportista, completar a prova na terra em que nasceram os Jogos Olímpicos e que diz a História ter sido palco da épica batalha que originou o nome da prova mais "charmosa" do atletismo seria o suficiente. Mas para Eli, participar da disputa exatamente no dia 13 de novembro, torna o momento ainda mais inesquecível, já que nesse dia completou 50 anos. "Foi mais do que eu esperava. Ninguém gosta muito de falar que completa 50 anos, é meio complicado, mas no meu caso, completar 50 anos correndo uma maratona, completando a prova e fazendo um bom tempo é maravilhoso".

Para garantir a realização do sonho, Eli elaborou um projeto apresentado a empresas da cidade e que viabilizava sua participação na Maratona Clássica. "Nesse momento tenho que agradecer às empresas que apostaram no meu trabalho e que me ajudaram a conquistar a quantia para poder disputar a prova. São elas a Bruna Semijóias, Jornal da Cidade, PRM Móveis Planejados, Sollarium, Bar Aeroporto, Pára-Raios Nasa e Alex Restaurante. Sem eles, não teria condições de conseguir realizar esse sonho que ainda custo acreditar", lembra.


A prova


Com a largada às 9h do horário local, a Maratona Clássica teve início na cidade de Maratona (Marathon) com aproximadamente 20 mil maratonistas dispostos a enfrentar o grande desafio. O percurso de 42 km seguiu até a cidade de Atenas com chegada no monumental estádio Panathenaikon. "É um lugar fantástico, todo em mármore e que foi o local da 1ª Olimpíada dos Tempos Modernos, em 1896, e também chegada da maratona da última Olimpíada em Atenas", comenta Eli que também se recordou de outro ponto que marcou a História do esporte, principalmente brasileiro. "Mais ou menos no quilômetro 35 me recordei que foi ali que o padre irlandês Neil Horan agarrou o Vanderlei Cordeiro de Lima quando ele liderava a prova da maratona nas Olimpíadas de Atenas em agosto de 2004. Aliás, enquanto nos mostrava um pouco da cidade, a guia do nosso grupo de brasileiros (cerca de 20) comentou sobre o caso lamentável". O episódio em Atenas lembrado por Eli pode ter roubado a medalha de ouro do Brasil. Quando foi agarrado e empurrado para a sarjeta pelo irlandês, Vanderlei se atrasou na maratona, mas acabou completando a prova em terceiro lugar.

"Na hora que você está correndo, às vezes ficam passando um monte de coisas na sua mente. Eu prefiro aproveitar e desfrutar o momento. Brinco com as pessoas que estão assistindo e chego a incentivar quem está do meu lado. Na Grécia, quando me vi sozinho numa subida, pensei: de um lado está Sócrates falando para forçar um pouco mais, e do outro vem Platão pedindo para maneirar".


Comentários

Comentários