Ouso explorar o meu lado cidadão a fim de comentar comportamentos que intrigam pessoas com quem eu convivo e sugerem dúvidas sobre como será o futuro desses jovens que se inserem neste contexto. Conscientemente, começo meus comentários pelos pais. Os pais estão preguiçosos demais e com pouco tempo para cuidar dos filhos. Delegam a educação das crianças às escolas.
As escolas, por vários fatores que eu não saberia elencar, vivem um drama existencial sério, pois os professores, nem sempre devidamente preparados, sentem-se sem condições de segurança e estrutura para ensinar e educar. Além do método que é discutível. Sem os pais e a escola, temos uma grande parcela de jovens que perderam a noção do respeito em geral. É a geração do vale tudo, onde a vergonha é outro valor, característica, sentimento, etc.... que também não existe mais.
Encaixa-se aqui o comentário sobre a greve da USP, onde 63 jovens não querem a polícia no câmpus para que eles possam fumar maconha em paz. Como pode todo este transtorno, desgaste, quebra-quebra, prejuízos, etc... por tão pouco? Ou por uma causa tão absurda? Típico movimento sem causa, razão ou sentido. Talvez seja saudosismo e vontade de imitar os pais que fizeram importantes movimentos estudantis com grandes causas.
Meu sentimento é que a velocidade de mudanças na tecnologia, valores eternos versus valores modernos, diferentes comportamentos, excesso de informação etc... reforçam uma realidade que é difícil o jovem assimilar. Junta-se neste cenário o fator web. Hoje são mais de 30 milhões de brasileiros conectados no facebook, que inaugurou escritório em São Paulo, porque o Brasil é o maior fenômeno de crescimento de pessoas conectadas.
A web empodera as pessoas, gera status e visibilidade. O poder da rede (web) é inimaginável. Reforça uma virtude dos brasileiros que é a comunicabilidade. Vários aspectos interessantes de comportamentos estão implícitos neste hábito de utilizar a web para conectar-se. As empresas estão aprendendo a utilizar a rede para relacionamento com potenciais clientes. Por outro lado, a classe C e D da população possuem traços conservadores, éticos e querem mais justiça, menos corrupção, etc... Como é que tudo isso convive e para onde vai a sociedade?
Não seria a escola a prioridade número 1 para construirmos gerações futuras com princípios e valores mais consistentes? Como poderemos influenciar os pais para participarem mais ativamente da educação dos filhos?
Qual será o futuro da web e a influência dela na formação e educação das pessoas? A influência será positiva?
Estamos vencendo os desafios impostos pelos novos tempos ou estamos sendo vencidos pelos vícios e problemas? E o crack, de tão fácil acesso e custo, será controlado? Não resolveremos todos os problemas do mundo. Mas cada um precisa contribuir na construção de um futuro melhor para todos.
O autor, Ricardo Coube, é diretor presidente do Grupo Tiliform)