A petroleira norte-americana Chevron minimiza o vazamento de seu petróleo na Bacia de Campos e trava uma guerra de informações contra os ambientalistas. Segundo ela, o vazamento seria só de 330 barris de petróleo, enquanto os ambientalistas denunciam um vazamento de 3.700 barris por dia.
Ainda está na nossa memória o vazamento no Golfo do México na plataforma DeepWater Horizon, da British Petroleum, que causou a morte de 11 pessoas e o maior desastre ambiental da história dos EUA com 3 a 4 milhões de barris de petróleo derramadas em 20 de abril de 2010. A preocupação com vazamentos de petróleo nos Oceanos deve estar presente no cotidiano de todos, pois a vida no planeta teria surgido neles e até hoje depende deles para florescer. Segundo a oceanógrafa norte-americana Sylvia Earle (porta-bandeira dos mares - O oceano não é infinito, alerta Sylvia Earle - Ilustríssima - domingo, 16 de outubro de 2011, páginas 4 e 5 - Folha de São Paulo), conhecemos apenas 5% dos oceanos e com as descobertas do Pré-Sal e as jazidas minerais em águas profundas, as quais a exploração tornou-se viável pelo aquecimento global, desastres de magnitudes catastróficas podem estar sendo preparados. Segundo a cientista, é só uma questão de tempo e lugar, então, atenções redobradas com os nossos oceanos.
Sylvia Earle nos alerta que se fizermos cinco respirações profundas, o oxigênio de três delas terá vindo dos oceanos por mais distantes que aparentemente eles estejam de nós. As superfícies das águas oceânicas estão cobertas, literalmente, por microscópicos organismos marinhos que produzem 60% do oxigênio necessário para a nossa sobrevivência e necessitam de temperatura adequada, pureza da água, acidez correta para que possam viver e continuar mantendo a vida em terra firma. A genial oceanógrafa afirma ainda que os estoques de peixes estão caindo assustadoramente e que algumas espécies já estão condenadas à extinção, mesmo que começássemos a fazer algo por elas de imediato. Como postura pessoal e pública, ela deixou de comer peixes há dez anos.
Ainda com base em seus estudos, o equilíbrio da vida é tão delicado e depende tanto dos oceanos que havendo dúvidas sobre a importância de determinado ecossistema estar sendo ameaçado pela mineração/prospecção oceânica, ela não deveria acontecer em nome da preservação da vida no Planeta Terra. Como vemos, a nossa existência depende de novas formas de ver o mundo, de novos arranjos sociais, do respeito pelo próximo e pelo mundo natural, em especial os oceanos e seus ecossistemas. Conseguir mudar hoje significa a sobrevivência da nossa espécie, independentemente da sua coloração política, opção sexual, cor da pele, confissão religiosa, atividade profissional etc.
O autor, Fábio Paride Pallotta, é professor de história e colaborador de Opinião