Internacional

Brasil se abstém em votação sobre Irã na Assembleia Geral da ONU

Folhapress
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Nova York  - O Brasil se absteve ontem, na Assembleia Geral da ONU, na votação de relatório que condena o Irã por violações dos direitos humanos.  O texto teve 86 votos favoráveis, e 32 contrários. Houve 59 abstenções. Segundo o relatório, têm aumentado dramaticamente no Irã episódios de execução, violência contra mulheres, discriminação contra minorias, além do emprego de tortura.

Resoluções contra o desrespeito aos direitos humanos no Irã têm sido apreciadas pela ONU há mais de uma década. Desde então, o Brasil se absteve em todas as ocasiões, exceto em 2003.

Ao justificar a abstenção ontem, o governo brasileiro disse que o documento deveria ter fornecido um “relato mais equilibrado da situação dos direitos humanos no Irã”.

Para representantes brasileiros, a ONU deveria reconhecer medidas positivas tomadas pelo país. “Por exemplo, em áreas como educação, erradicação da pobreza, bem-estar e aumento da representação das mulheres.”

Desde o governo Lula (2003-2010), o Brasil adota política de abstenção na 3.ª Comissão da ONU contra países acusados de violações dos direitos humanos.

Além de discordar dos relatórios, o país alega que o melhor fórum para debater a questão é o Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

A ONG Conectas, de São Paulo, criticou a posição brasileira. Camila Asano, coordenadora de Política Externa da entidade, diz que a abstenção contradiz declarações de Dilma contra o tratamento das mulheres no Irã.

Em entrevista ao jornal “Washington Post”, em 2010, Dilma disse que se sentiria desconfortável, como uma mulher eleita presidente, em não dizer nada contra os apedrejamentos no Irã.

O Brasil também se absteve ontem em condenações a Mianmar, mas apoiou relatório contra a Coreia do Norte.

Ontem, a Casa Branca sinalizou que prepara novas sanções contra o Irã. A França pediu “sanções sem precedentes” ao país. O objetivo é punir o país por seu programa nuclear, cujo alegado fim pacífico é motivo de dúvida.

 

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