Tribuna do Leitor

MINHA QUERIDA JANELA


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Obrigado, Senhor, por minha janela que se abre no muro como o hálito de respiração do pequeno quarto, como os olhos luminosos de minha casa, como varanda onde minha alma fatigada pode aparecer. Obrigado por essa bochecha de ar fresco ou de sol, de chuva, de perfume do campo que me inunda por dentro, de quietude em forma de quadro que cada dia e cada hora me pintas de uma cor diferente.

Que seria de nós, Senhor, sem janelas abertas para a vida, sem distâncias e caminhos no horizonte, onde podem desfilar nossos velhos amores e nossos sonhos impossíveis?

Quando me mostro parece que a reduzida paz de meu quarto, o silêncio da meditação, a soledade íntima da estância cobram as proporções cósmicas, de todo um universo.

Como se Tu me abraçasses desde as paisagens, convidando-me a sair de mim, e lutar outra vez por meus irmãos.

Como se Tu me chamasses a sair correndo ao monte ou à cidade como um louco, dando saltos de alegria, chiando por estar vivo, como um hino consciente de Tua Glória...

E assim, mais tarde rompido pelo atrito e pela refrega, voltar a repousar do meu cansaço de homem semelhante ao bronze do silêncio e à oração...

Oh! Minha querida janela:

Obrigado, Senhor, por essa janela!...


João Álvares - delegado regional da Associação Paulista de Imprensa - Piratininga

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