Aceituno Jr. |
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A quadra 1 da avenida Alfredo Maia, na Vila Falcão, sofreu alagamento, apesar da chuva rápida de ontem à tarde |
Assim como outros pontos da cidade, os bauruenses que residem ou trabalham às margens da avenida Alfredo Maia, em Bauru, já se acostumaram com um antigo problema. Para os que ali convivem, mais especificamente nas proximidades da quadra 1 da via, qualquer chuva – mesmo que seja rápida – é sinônimo de inundação. E foi o que ocorreu ontem, com a ligeira precipitação que atingiu a cidade.
A chuva de poucos minutos, que acumulou, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, cerca de 20 milímetros, transformou a rua novamente em um rio.
Muitos carros esperavam a água baixar para transitar. Veículos de porte maior, como ônibus ou caminhões, arriscavam-se a fazer a travessia que seria mais adequada a um barco. Apoiados nos muros e grades, alguns pedestres também tentavam fugir da inundação.
“Eu estou esperando já há algum tempo para buscar minha esposa, que trabalha na Sebes (Secretaria Municipal de Bem-Estar Social). A água já baixou um pouco, porém, não quero arriscar”, conta o analista de sistemas Sérgio Luiz Augusto Dias, 44 anos.
Pode parecer mentira, porém, a Sebes fica na Alfredo Maia, bem próxima ao local crítico de inundação. Quando chove, surge um verdadeiro rio como obstáculo entre a população que necessita dos serviços ofertados e a sede da secretaria.
E se o problema é grave para quem precisa ir até ali, imagina para quem mora na área. É o caso de Maria Cícero dos Santos Souza, 25 anos. “Eu moro em uma verdadeira ilha. É só assim para dizer o que sentimos. Toda vez que chove, ficamos ilhados”, conta.
Ela, que é mãe de dois garotos, com idades de 4 e 8 anos, teme que as inundações tragam doenças. “Esse é meu maior medo. Fica essa água suja aqui e não dá nem para sair de casa. Além disso, tem um mau cheiro insuportável”, relata.
Antônio do Nascimento Silva, operador de máquinas, trabalha em uma oficina bem em frente ao local do alagamento. Quando a reportagem chegou ao estabelecimento, ele, em uma mescla de ironia e bom humor, logo disparou: “o que vocês querem? Querem um barco?”.
O operador conta que a população está tão pessimista em relação à situação que já fez do problema um hábito. “Quando vemos que começa a chover e a água está subindo, já vamos erguendo todas as máquinas do chão. Já vi um monte de vezes a água entrar na oficina”.
Situação pior
Apesar de a água ter impedido a passagem de veículos pelo local e ilhado moradores ontem, o cenário foi considerado “tranquilo” por quem convive há anos com o problema sem solução. Nesta segunda, de forma até mais “profética” do que as próprias previsões meteorológicas, os vereadores reivindicaram a limpeza da calha do rio Bauru para evitar situações como essa.
E o antigo problema já fez com que a população vivesse cenários inesquecíveis. “A pior situação foi quando um fusca com um casal de idosos ficou preso bem no meio da água. Nós, da oficina, tivemos que ir ajudá-los para eles não se afogarem. Foi terrível”, relembra o operador de máquinas Antônio da Silva.
Sem chuvas
E os moradores próximos da Alfredo Maia tem uma boa notícia. Se o poder público não soluciona a questão, o problema vai ser amenizado pelo clima. É o que prevê o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.
Segundo o instituto, a probabilidade de chover hoje é muito pequena. Assim como nos próximos dias. “Pela previsão, a maior probabilidade de chover é somente no domingo. É uma probabilidade de 80%”, explica a meteorologista do IPMet Zildene Pedrosa Emidio.
Em relação às temperaturas, elas devem ser amenas, aumentado ao longo da semana. “As temperaturas hoje devem ficar entre 17 e 28 graus. Pela semana, vai havendo um aumento gradativo”, completa.
Nações Unidas
Além da Alfredo Maia, a avenida Nações Unidas, como já é comum, apresentou acúmulo excessivo de água com a chuva rápida na tarde de ontem. Nas proximidades do Parque Vitória Régia, veículos tiveram problemas com a água.
Entretanto, segundo o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, não houve problemas mais graves na avenida por conta das precipitações. Felizmente, foi assim também por toda a cidade.
