O "parto" não deu certo e o Departamento de Água e Esgoto (DAE) continua sem utilizar caminhão zero quilômetro adquirido em novembro de 2010. Há 40 dias, o JC anunciou que o veículo ficou meses na garagem da oficina do DAE, no Jardim Ouro Verde, esperando a aquisição de tanque específico para transportar produtos químicos. Por falta do dispositivo, a autarquia deixou o caminhão parado por meses. Entretanto, o DAE agora encontra dificuldades na entrega do tanque.
Ou seja, passados mais de 11 meses da data da compra, o DAE ainda não conseguiu "colocar em uso o caminhão tanque para transportar químicos". Além da inesperada demora inicial para a compra do tanque, item essencial para atender a demanda de transporte especial nas unidades do órgão público municipal, agora o DAE não consegue que o fornecedor entregue o dispositivo dentro das normas técnicas.
O diretor de Divisão de Produção do DAE, Igor Fournier, conta que a empresa Dinâmica Reservatórios, de Uberlândia (MG), já foi notificada sob a aplicação de multa contratual pela não entrega do tanque instalado ao caminhão. O DAE já realizou dois aditivos, concedendo novos prazos para que a Dinâmica cumprisse o contrato.
"A empresa está mostrando grande dificuldade para cumprir o objeto contratado. O segundo aditamento para a entrega do tanque tinha o prazo de 26 de outubro. Levaram o caminhão com o tanque para vistoriar em Paulínia (SP), onde há verificação especializada do dispositivo e em maior escala. Mas não passou na vistoria. Há uma série de requisitos técnicos e de segurança que tem de ser cumpridos pela empresa fornecedora. E ela não está conseguindo cumprir", comenta.
Os problemas são de instalação e especificação. Segundo Fournier, a montagem da longarina do tanque foi feita em bitola maior que o caminhão. Depois, foi preciso novos pontos de solda e adequação no compartimento para ser aprovado e, além disso, todo o revestimento interno (de fibra) teve de ser refeito. Tudo para tentar com que a Dinâmica cumprisse os itens técnicos elencados para a aprovação do veículo em vistoria.
"O valor contratado pelo DAE para o tanque é o mesmo (cerca de R$ 45 mil). Não vai mudar. E a empresa já foi notificada da aplicação de multa prevista em lei, tendo em vista o não cumprimento do contratado. O DAE não vai pagar além do que foi assinado pelo equipamento", conta o diretor.
Se for superada a fase de homologação do tal tanque para químicos, acoplado ao caminhão, o DAE terá levado mais de 12 meses entre a compra e o início do uso do veículo, considerado item essencial para a distribuição de cloro pelo DAE nos poços. Há tempos, a autarquia utiliza uma velha caminhonete Toyota Bandeirantes para realizar o serviço. O cloro ainda é transportado em galões. O DAE ainda consumiu recursos com deslocamento, alimentação e hospedagem de servidores para levar o caminhão a Uberlândia (MG), mais de uma vez, para a instalação do tanque.
Parto da compra dura meses
A ?proeza? no DAE teve início com a aquisição por licitação de um caminhão para o transporte de químicos sem o compartimento de carga. Como "esqueceram" de pedir o tanque, o processo aberto em 27 de setembro de 2010 teve parte do desfecho em 04 de janeiro deste ano, quando a empresa Silbarra Veículos (uma microempresa) cumpriu sua parte e entregou ao DAE o que foi pedido. O fechamento do contrato de compra, por R$ 84.970,00, deu-se em novembro de 2010.
Começou o ano e o então novo presidente da autarquia, André Luiz Andreoli, recebeu a notícia de que o zero quilômetro não poderia ir às ruas. Desde então, o caminhão ficou encostado em uma seção do DAE ao lado da Estação de Tratamento de Água (ETA). Por exatos nove meses, completados no início deste mês, servidores passaram apenas a contemplar o caminhão.
O ?parto? para colocar o veículo nas ruas demorou exatos nove meses. Enfim, há 40 dias, o DAE anunciou que o caminhão chegaria de Uberlândia (MG) já com o tanque instalado sobre sua carroceria, assim apto a transportar químicos.
A autarquia argumentou, por seus setores operacional e administrativo, que a saga pela compra do tanque químico deu-se por vários fatores, como liberação especial para o veículo não registrado no órgão do trânsito rodar até Uberlândia, prazo extenso para localização do fornecedor do inusitado tanque e ainda outros obstáculos, como licença, vistoria técnica e instalação do dispositivo.
O fato é que somente em 27/07/11, o caminhão foi para a cidade mineira para a colocação do tanque para transporte de hipoclorito de sódio. Em 29/11/2010, foi solicitado pela Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE, através do processo nº 10.910/2010, a fabricação de um tanque de transporte de hipoclorito de sódio.
Em 20/04/2011 foi marcado o pregão eletrônico nº 14/2011 para adquirir o equipamento e, em 06/06/2011, foi assinado o contrato nº 023/2011-DAE com a Empresa Dinâmica Fábrica de Reservatório e Equipamentos Ltda. EPP. Finalmente o tanque ganhava fornecedor. Então o DAE concentrou esforços para solicitar à 5ª Ciretran, isso em 07/07/2011, a autorização especial para locomoção do caminhão até Minhas Gerais (MG). Vieram, ainda, nos dias 10 e 11/08/2011 e 5 e 6/09/2011, visitas técnicas no local para assegurar a entrega do tanque de acordo com o contratado. Mas não deu certo.