Internacional

Presidente do Iêmen renuncia ao cargo

Folhapress
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Riad - O ditador do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, 69 anos, que assumiu o governo em 1978, assinou ontem em Riad (Arábia Saudita) acordo que prevê sua renúncia, a transmissão do poder ao vice, Abed Rabbo Mansour Hadi, em 30 dias e a realização de eleições presidenciais em até três meses.

Saleh é o quarto ditador que deixa o poder desde o início da Primavera Árabe, em janeiro. Naquele mês, o tunisiano Zine Ben Ali fugiu de seu país. Em fevereiro, o egípcio Hosni Mubarak renunciou; em outubro, o líbio Muammar Gaddafi foi capturado e morto por insurgentes.

A renúncia foi assinada depois de quase dez meses de protestos no país (que deixaram pelo menos 225 mortos até outubro, de acordo com a estimativa da organização Human Rights Watch) e longas negociações com outras nações do Oriente Médio.

Os conflitos envolveram líderes tribais que passaram a se opor a Saleh e incluíram, em junho, um ataque ao palácio presidencial na capital, Sanaa, no qual o ditador teve 40% do corpo queimado. Ele ficou internado na Arábia Saudita por três meses.

Assinado por pressão dos EUA - que temiam a expansão da rede terrorista Al Qaeda no Iêmen, um dos países mais pobres da região -, o acordo inclui imunidade judicial para o ditador, o que enfureceu manifestantes.

Acampados em uma praça próxima à Universidade de Sanaa, vários deles receberam anteontem a notícia da renúncia aos gritos de “não à imunidade para o assassino”.

Presente à assinatura do acordo, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que Saleh deve viajar a Nova York para tratamento médico tão logo transmita o poder ao seu vice.

Em breve discurso para membros da família real saudita e diplomatas, Saleh afirmou que seu partido vai cooperar com as siglas de oposição que também assinaram o acordo para montar um “governo de unidade nacional”.

Os líderes dos protestos, porém, alegam que os partidos oposicionistas que endossaram o acordo já foram aliados da ditadura e que ele não inclui reformas democráticas nem a possibilidade de julgar Saleh, que estão entre as principais demandas. “O acordo não serve aos interesses do Iêmen”, disse Walid al Ammari, um dos organizadores das manifestações na Capital. “Continuaremos protestando até atingir nossos objetivos”, acrescentou.

 

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