Botucatu – A bancada do PT na Câmara de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) enviou ao prefeito João Cury (PSDB) um pedido de explicações sobre quanto a administração gastou no aluguel de ginásio, despesas da feira do livro e do gibi produzido pela equipe do cartunista Maurício de Sousa que faz promoção pessoal do tucano.
O livreto de 36 páginas, destinado a alunos da rede pública do município, traz um jogo de caça-palavras para o leitor preencher com o nome do prefeito João Cury. O jogo é ilustrado com uma caricatura considerada simpática do prefeito.
Os vereadores entendem que a publicação, paga pela prefeitura com dinheiro público, faz promoção pessoal do político.
Ontem, o vereador Lelo Pagani (PT) declarou que o foco do requerimento não é a suposta promoção pessoal, mas faz outros questionamentos. “Houve o aluguel sem licitação de um prédio para realizar o evento que teria custado R$ 18 mil, embora a prefeitura poderia dispor do ginásio de esportes, sem ônus”, declarou.
Mas é com base nas informações que prefeito encaminhar ao Legislativo é que a bancada petista pretende acionar o Ministério Público, para apurar suposto caso de improbidade administrativa.
O presidente do PT local, Carlos César Ramos, em declaração ao JC afirmou que houve promoção pessoal. Pagnani diz que as medidas cabíveis serão tomadas, depois que a bancada analisar as explicações. O prefeito tem prazo de 15 dias, renováveis por mais 15.
O livreto “Almanaque Saiba Mais Botucatu” traz histórias com personagens dos quadrinhos de Sousa e, na contracapa, o brasão do município. De acordo com Ramos, o artigo 37 da Constituição Federal proíbe gasto com publicidade para promoção de ocupante de cargo público. Ramos citou casos de governantes que perderam o cargo por essa irregularidade.
A prefeitura informou, por meio da Secretaria de Educação na ocasião ao JC, que os gibis foram confeccionado pela editoria de Maurício de Sousa e distribuídos durante a Feira do Livro, realizada na cidade de 12 a 18 de setembro, com o objetivo de estimular o hábito da leitura.
A nota informa que o nome do prefeito foi citado apenas uma vez entre as 36 páginas, com cerca de 84 quadrinhos, e que o jogo de caça-palavras com a caricatura estavam de acordo com o contexto informativo do gibi, “sem qualquer conotação de autopromoção”. Segundo a Secretaria, o material distribuído cumpre o dever de prestar contas sobre os programas da prefeitura e não houve promoção pessoal de Cury.