Pesca & Lazer

História de Pescador: Um peixe de peso


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Essa pescaria aconteceu há alguns anos com um grupo de amigos no município de Bagé, no rio Jaguarão (RS). Logo que chegamos ao local armamos acampamento na beira do rio e começamos a pescar. Fisgamos um peixe aqui, outro ali e nada, não estávamos mesmo com muita sorte.

Quando a noite foi caindo resolvi colocar um anzol grande com um pedaço de carne de ovelha para atrair os grandes jundiás. Com muito cuidado preparei o arsenal: troquei a chumbada por uma mais pesada para jogar a linhada perto do barranco da outra margem. Usando toda a minha força, disparei a linha em direção ao barranco, que foi assoviando até cair onde queria. A estrutura estava tão longe que eu não enxergava nada e nem ouvia o barulho da chumbada batendo na água.

Para eu ver melhor os movimentos da linha fui desenrolando o carretel até chegar perto de um lugar do acampamento onde tinha luz. Estava tão ansioso pelo ataque do peixe que não desviava a atenção da água. O problema é que a ação nunca vinha, mas mesmo assim não perdi a esperança e continuei ali plantado esperando o tão sonhado ataque.

Uma hora mais tarde, finalmente, o carretel deu um tranco espetacular e algo bem forte saiu em disparada pela água. Eu, que estava bem atento, segurei firme o caniço e dei a fisgada com vontade. Nessa hora, senti um baita peso na linha e puxei o bichão com dificuldade.

Dava para ouvir de longe o estardalhaço que ele fazia na água enquanto eu puxava. Estava eufórico imaginando que, finalmente, eu tinha fisgado um belo troféu que poderia ser até um recorde! Puxa daqui, puxa dali... Meus amigos e eu saímos correndo com a lanterna para ver de perto o peixão. Quando cheguei à margem, meu Deus! Vocês nem imaginam o tamanho que era! A emoção foi enorme ? o problema é que junto com o grunhido veio a surpresa.

Naquela hora pensei: ou tinha fisgado uma nova espécie de peixe ou era algum outro bicho. Quando vi que o suposto troféu tinha patas percebi que meus planos tinham ido por água abaixo. Que azar! Tinha fisgado um bicho conhecido como sorro. Com a força do lançamento a linha caiu na outra margem fora d?água e a carne de ovelha atraiu esse cachorro do mato que mordeu a isca.

Mas isso não foi nada comparado à ginástica que tivemos que fazer para "desfisgar" o bicho que depois de tomar uma ferrada na boca e ser arrastado pelo rio afora estava realmente uma fera e para escapar de uma mordida tivemos que correr muito.

Marcelo Tavares é pescador e contador de histórias. O "causo" foi publicado na Revista Pesca & Cia.

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