A quatro dias das eleições no Egito, o clima de tensão e revolta aumentou nas principais cidades do país, incluindo a capital, Cairo. Desde o dia 19, manifestantes ocupam a Praça Tahrir, na capital, símbolo da resistência, e exigem o fim do governo do Conselho Supremo das Forças Armadas, comandado pelo marechal Mohamed Hussein Tantawi. Pelo menos 33 morreram e 2 mil ficaram feridas nos confrontos entre policiais e manifestantes.
Em pronunciamento na TV, dois dos generais que comandam o país pediram desculpas à população pelas mortes de civis nos confrontos. Foi a primeira vez desde o início dos protestos, no sábado (19), que integrantes da junta militar se desculpam pela violência usada na repressão dos protestos.
Mas nas ruas, a população mantém a desconfiança em relação aos militares. Para os manifestantes, a Junta Militar mantém vínculos com o antigo governo do ex-presidente Hosni Mubarak – que renunciou em 11 de março deste ano sendo substituído pelos militares. Em cafés e restaurantes, há informações de que os militares manterão o domínio sobre o país, mesmo após a eleição de um governo civil.
O advogado Mohamed El Bakri disse que a diferença desta "nova revolução" em relação à anterior é que os egípcios ficaram mais experientes. "Na outra [a de fevereiro que levou à renúncia de Mubarak], o país parou porque a população ficou incrédula, não sabia o que fazer e como lidar com as adversidades quando o Egito parou por conta de protestos, confrontos e mortes. Muitos se sentiram incomodados porque a vida não corria normalmente."