A proposta da Prefeitura de Bauru de pagar adicional de transporte para que os fiscais de posturas municipais utilizem carros próprios para atuarem no serviço público foi muito mal digerida pela diretoria do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm). A administração reconhece, inclusive, que essa prática já acontece em razão da quantidade insuficiente de viaturas oficiais na estrutura da pasta.
A diretora da entidade, Sonia Carvalho, classificou como absurda a proposta da administração. No entanto, pontuou que o assunto ainda será discutido pelo Sinserm a fim de definir quais providências podem ou serão tomadas diante do cenário.
Existe, no projeto do governo, um impasse legal por conta do uso de carros particulares dos próprios funcionários durante o horário de serviço. No entanto, as principais preocupações apontadas pela diretora do Sinserm estão vinculadas à falta de informações sobre a atribuição de responsabilidades em eventuais casos de acidentes.
Sob esse aspecto, o próprio prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), que assinou o texto propondo a criação do adicional de transporte, admite não saber responder essas questões. "Isso é muito preocupante. Foi o que ficou claro na reportagem publicada hoje [ontem]. Como é que vai ficar se acontecer alguma coisa?", questionou.
O projeto foi retirado da Câmara Municipal antes mesmo do início da sua tramitação, mas o chefe do Poder Executivo.
Além da grande dose de problemas já identificados, a Seplan precisa resolver questões como a escolha de quais fiscais serão contemplados com o adicional. O texto prevê o direito apenas para os que exercem a função externamente. No entanto, a administração possui oito motocicletas para o setor que deveriam continuar sendo utilizadas.
Principal crítico da ineficiência do setor de fiscalização da prefeitura, o vereador José Roberto Segalla (DEM) sentenciou: "E se acontecer um acidente?".