Este período que separa as pré-candidaturas até o pleito de outubro de 2012, passando pelas convenções partidárias, é na verdade uma época de sonhos e pesadelos dos que pretendem disputar o executivo nos vários municípios brasileiros. São as negociações em busca de apoios dentro e fora de seus partidos, as articulações em busca de candidatos com potencial para as chapas nas eleições proporcionais para as Câmaras de Vereadores, que desgastam não só os articuladores, mas, em maior escala, os pretendentes a um desses cargos. E nem sempre os prepostos designados para tais articulações e negociações agem com a lisura necessária. Prometem céus e terras aos que pretendem atrair para sua seara, transformam órgãos públicos em verdadeiros comitês de campanha, e transformam a ética em verdadeiro pano de chão. Cada qual coloca em pratica, os princípios básicos de educação e de formação de caráter que trouxe do berço.
Mas essa pratica usualmente utilizada na política brasileira, é também um dado referencial da falta de cultura ou da falta de acesso aos bens culturais, por parte dos membros de nossa sociedade. Acreditar em promessas seja de quem for, vender a alma ao diabo na busca de um cargo de "aspone" em futura e incerta administração, será sempre sinal de que a corrupção está arraigada no tecido social do país.
Enquanto a maré está a favor e a canoa desliza em águas de almirante, vai tudo bem. Há farta distribuição de sorrisos, continuidade nas ofertas de cargos mirabolantes, distribuindo os mesmos cargos para três ou quatro apoiadores, é tudo um sonho. O duro é quando um desses articuladores resolve fazer uma consulta pública para saber como está seu candidato no seio da população, e tem um sobressalto, um verdadeiro pesadelo.
Começam a ver que a realidade está distante das promessas efetuadas, e que a vaca está indo diretamente para o brejo das alquimias mal construídas. Desaparecem os sorrisos, abandonam os órgãos onde estão lotados, e a célebre pergunta: "onde foi que eu errei", é melhor dissecada entre um chope e outro num bar qualquer. E quantos sobressaltos e pesadelos virão no futuro? Em comentário anterior alertei para o fato de que o povo não é tonto. Sabe distinguir entre aquilo que caminha bem, e aquilo que é apenas uma promessa. E como todo brasileiro que se preza, seu esporte favorito é o futebol, e todos nós sabemos que em time que está vencendo, não se mexe.
Como sentenciava Sêneca, não existe vento favorável para o marinheiro que não sabe aonde ir. Eleição é coisa séria, mexe com o inconsciente da população que não quer perder aquilo que já conquistou, apostando em promessas vãs de guloseimas. De uma certa forma, o povo brasileiro está cansado dessas promessas, de túneis e pontes que não saem do papel, dessa corrupção desenfreada estampada nos noticiários de jornais, revistas e televisão. O povo brasileiro está aprendendo que dinheiro não compra classe.
O autor, Carlos Pinto, é jornalista e colaborador de Opinião