Geral

?Torrar? por impulso é erro comum

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Dinheiro na mão é vendaval, como diria Paulinho da Viola em uma de suas músicas mais primorosas sobre situações do cotidiano e, segundo economistas, um dos maiores erros cometidos pelo consumidor com o 13º salário é o gasto por modismo. Quem nunca comprou algo desnecessário apenas por ter dinheiro sobrando na carteira?

É também nesta época do ano que muitos consumidores costumam esquecer que em janeiro as contas serão as mesmas de dezembro, mas acrescidas das dívidas das aquisições por conta do 13º salário, dinheiro que não estará na carteira no próximo mês. Isso sem falar nas contas extras como IPVA, IPTU, matrículas escolares e seguro do carro, entre outras.

"Gastar sem um planejamento e cair nas garras das propagandas e modismos tem sido o erro de muitos consumidores. Por exemplo, se a moda atual é adquirir um tablet, há quem faça dívidas para comprar um objeto que não precise no momento", expõe Salete Aparecida Rossini Lara, professora de economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE).

Mas é possível sair às compras e se divertir sem estourar o orçamento ou deixar as dívidas de lado. Para isso, a professora dá as dicas. Em primeiro lugar, ela aconselha a verificar o montante das dívidas, pagá-las e, se sobrar algum valor, verificar o que realmente é necessário adquirir para, então, encher as sacolas. Outra dica é, sempre que possível, realizar o pagamento à vista ou dividir com o menor número de parcelas. "Ficar atento para não cair na tentação da moda e na lábia das crianças, no caso dos pais, é outra dia" (Veja mais dicas no infográfico).

Já para quem tem contas atrasadas, o conselho é conversar com o credor para conseguir um bom desconto à vista. Se for necessário parcelar, o ideal é que o devedor procure a menor quantidade de parcelas e os menores juros do mercado.


Investimento

Com o dinheiro nas mãos, há quem prefira não gastar e investi-lo. E os motivos vão desde pura opção por simplesmente não precisar usá-lo, até a realização de uma meta ou sonho. Nesse caso, antes de investir é preciso levar em consideração o tipo de investidor que a pessoa é e o que melhor se encaixa em seu perfil.

Para os mais conservadores, Salete indica a caderneta de poupança, por exemplo. Já para quem não teme riscos, a Bolsa de Valores pode ser um bom investimento. "Se o perfil for de um investir que gosta de arriscar pouco, então haverá uma gama muito grande de investimentos. O ideal é que a pessoa procure o gerente do banco que tem conta para conversar com ele sobre as formas de investimentos".

"Projeto exterior"

Já para a estudante e operadora de cobrança Bárbara Cavallieri, 19 anos, dinheiro extra é sinônimo de poupança e com o 13º salário o plano não é diferente. "Esse dinheiro irá todo para a poupança, assim como faço desde janeiro com metade do meu salário e com a grana que consigo com alguns trabalhos como fotógrafa".

Realizar o projeto de estudar em Londres assim que terminar a faculdade é o motivo da poupança de Bárbara. "Esse é um projeto para curto prazo. Nunca fui muito desorganizada financeiramente, mas depois que comecei a trabalhar, aprendi sobre o valor do dinheiro e passei a fazer planos para ele. Atualmente, minha meta é guardar o máximo possível para fazer um curso de fotografia ou design em Londres".


Do pagamento de conta à realização de projetos


Quando o assunto é 13º salário, os planos para o dinheiro são feitos muito antes da quantia ser recebida. Segundo especialistas e conforme apurou o JC nas ruas do comércio central de Bauru, o pagamento de contas é o principal destino para o dinheiro.

Contas fixas dessa época do ano como IPVA, IPTU, financiamentos, matrículas e seguros estão entre as prioridades na hora do pagamento de contas. A gerente de compras Fernanda Rodrigues Almeida está entre os trabalhadores que esperam o salário extra para quitá-las. "Desde que comecei a trabalhar, eu uso o 13º para pagar as contas de IPTU, IPVA e o seguro do carro. O que sobra vai para minha reserva".

Fernanda admite que nunca ficou no vermelho porque mantém as contas em dia e está sempre de olho nas finanças para saber o quanto pode gastar sem fazer dívidas extras. Não pagar o mínimo do cartão de crédito, colocar os gastos fixos na agenda e gastar o restante de acordo com suas necessidades e desejos é a solução encontrada pela gerente para administrar suas finanças. "Também reservo mensalmente uma parte do meu salário para a poupança. Este é um fundo de reserva que faço para possíveis imprevistos financeiros", deixa a dica.

Comentários

Comentários