Brasília - Partidos da oposição cobraram na sexta-feira a demissão imediata do ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), após a revelação de que ele foi funcionário-fantasma do Congresso por seis anos.
Como a Folha de S. Paulo noticiou, Lupi recebeu salário da Câmara de dezembro de 2
a junho de 2
6, mas não aparecia na repartição em que estava lotado - ele, na verdade, exercia exclusivamente atividades partidárias.
O PPS vai pedir sindicância na Câmara e acionar o Ministério Público Federal para investigar o ministro. Receber sem trabalhar pode caracterizar crime de falsidade ideológica do servidor e de prevaricação de quem o contratou.
Para o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), a presidente Dilma Rousseff “tem de assumir o papel de mandá-lo embora”.
“Lupi está em todas”
“Se você pegar um baralho e abrir as cartas, o Lupi está em todas. Tudo o que é irregularidade ele aparece. Agora até funcionário fantasma ele foi”, afirmou o líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP).
O deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), líder da bancada do DEM, disse que o “assunto é muito grave” e merece uma investigação administrativa.
Para o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello, o caso “é muito negativo” e “acaba fragilizando as instituições e o próprio contribuinte”.
Irregularidade
Durante o período em que recebia como assessor parlamentar, Lupi morava no Rio de Janeiro, e não em Brasília.
As normas da Câmara estabelecem que os ocupantes de cargos de natureza especial - caso de Lupi naquela época - precisam exercer funções técnicas de auxílio administrativo e atuar nos gabinetes do Congresso.
Lupi era o vice-presidente nacional do PDT quando, em 2
4, após a morte do ex-governador Leonel Brizola (1922-2
4), assumiu o comando da legenda.
A reportagem conversou com assessores, deputados e ex-deputados da sigla. Nenhum deles confirmou que Lupi trabalhou na Câmara por seis anos, embora ganhasse o maior salário pago a um servidor emprestado ao PDT.
Hoje essa remuneração é de R$ 12 mil - o que soma R$ 864 mil em pagamentos indevidos por serviços não prestados ao Congresso.
Outro lado
O ministro negou ter cometido ilegalidade, mas admitiu que só “às vezes” dava expediente no escritório parlamentar -e, ainda assim, de 1995 a 2
, e não no período em que de fato esteve contratado pela Câmara.
Lupi ocultou o emprego da Câmara nas biografias que publicou no site oficial da pasta e na página do PDT.
Eleito deputado federal em 199
, ele se licenciou em 1992 para assumir a secretaria municipal de Transportes do Rio.
Derrotado na tentativa de se reeleger em 1994, virou secretário de Estado em 1999 de Anthony Garotinho, mas saiu quando o governador rompeu com Brizola.