Islamabad - As forças da Otan, a aliança militar do Ocidente, no Afeganistão disseram que vão investigar “rigorosamente” o ataque aéreo que matou ao menos 25 soldados paquistaneses, segundo Islamabad, perto da fronteira entre os dois países, segundo o general americano John Allen.
Helicópteros da Otan atacaram uma base militar ao noroeste do Paquistão no sábado, fazendo com que o país fechasse rotas vitais de apoio às tropas da aliança lutando no Afeganistão, disseram autoridades paquistanesas.
O ataque é o pior incidente do tipo desde que o Paquistão se aliou a Washington imediatamente após os ataques de 11 de setembro de 2
1 contra os Estados Unidos.
O Paquistão protestou energicamente perante a Otan e os EUA pelo ataque aéreo, ocorrido em uma zona tribal no noroeste do país.
“O primeiro-ministro Yousouf Raza Gilani condenou energicamente o ataque realizado pela Otan contra um posto militar paquistanês. Conforme as suas instruções, esta mensagem foi transmitida pelo Ministério das Relações Exteriores à Otan e aos Estados Unidos nos termos mais fortes”, afirmou a chancelaria em um comunicado.
Em represália pelo ataque, o Paquistão decidiu interromper os comboios de abastecimento para a Otan no Afeganistão que passam por seu território.
O bombardeio acontece em um momento em que as relações entre os EUA e o Paquistão já estão estremecidas depois da morte do ex-líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, por forças especiais americanas em uma operação secreta na cidade de Abbottabad em maio.
Comandante da Otan que lidera as forças no Afeganistão, John Allen ofereceu suas condolências a qualquer soldado paquistanês “que possa ter morrido ou ficado ferido” durante o “incidente” na fronteira.
O número de mortos pode ser maior, uma vez que duas fontes militares disseram que perderam 28 soldados no ataque à base Salala, que fica a cerca de 2,5 km da fronteira com o Afeganistão.
De acordo com Islamabad, helicópteros da Otan bombardearam durante a madrugada um posto militar paquistanês em Baizai, no distrito tribal de Khyber, na fronteira com o Afeganistão. O ataque ocorreu em uma zona tribal na fronteira entre Paquistão e Afeganistão, um tradicional reduto de talebans e da rede Al Qaeda.
O governador da província de Khyber Pakhtunkha, Massud Kausar, disse que os ataques com helicópteros mataram cerca de 25 soldados e deixaram 14 feridos. “Saudamos nossos mártires”, disse o funcionário à imprensa.
O primeiro-ministro, Yusuf Raza Gilani, protestou “nos termos mais enérgicos” perante a Otan e os Estados Unidos, país que dirige a coalizão internacional no Afeganistão, e realizou uma reunião de emergência em Islamabad com o presidente Asif Ali Zardari e com os chefes das Forças Armadas.
Fontes das Forças Armadas paquistanesas afirmaram que o ataque da Otan foi “deliberado”.