Ramallah - Quando desviamos o olhar de um mendigo na rua, negamos a virtude que nasce com todo brasileiro, a solidariedade. Com o tempo chuvoso e um frio repentino caminhei pelas ruas de Ramallah e não encontrei mendigos, não vi armas, não vi uma briga, uma discussão, uma grosseria que seja, apenas pessoas trabalhando, rindo e vivendo; então como quem quer saber a verdade aproveitei a reunião pré marcada com o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Palestina Dr. Farid Al Jallad para perguntar qual era o índice de criminalidade na Palestina e para a minha surpresa me respondeu que este ano houve até agora um assassinato e que não é comum, apenas temos demandas na área civil disse ele, não satisfeito lhe indaguei qual o motivo deste baixo índice, estupefato ouvi o obvio, que os palestinos sabem da importância da unidade e evitam qualquer crime, qualquer briga pois sua maior preocupação é a ocupação impelida por Israel.
Estamos sob tensão diária, um Palestino de Ramallah para ver seu irmão em Jenin, tem que se submeter as humilhações nos postos do Exercito Israelenses (Chek Points) e ele pode até chegar lá mas não sabe se vai voltar, afirmou solene.
Convidado a conhecer a realidade que vive Belém pelo chefe de relações Internacionais do Movimento pela Libertação da Palestina (Al Fatah) Dr. Mohamed Odeh, aceitei de pronto. O trajeto de pouco mais de 40 km se tornou uma penitência, na divisa de Ramallah com Jerusalém no famoso Chek Points de Kalãndia, fortemente vigiado por soldados de Israel o posto é um formigueiro humano, palestinos querendo entrar ou sair soldados revistando homens, mulheres, velhos e crianças há um sentimento de repressão absoluta, corredores cercados por grades e pequenos jovens judeus que tem olham com ar de desconfiança, carregando armas pouco menores que eles.
Ao sair do posto após 1 hora e meia, me senti como tivesse saído de uma prisão, num ato impensado saquei minha câmera pra tirar uma foto e imediatamente fui impedido pelo Sr. Ben, um norte americano que optou pela luta palestina e me acompanhava por determinação do comando do Al Fatah e observou que algum soldado poderia nos mandar voltar para tomar a máquina. Em Belém o peso da maquina de guerra Israelense é notório o Muro da Vergonha retalha a cidade toda e bases militares se espalham por todos os cantos, Belém na Palestina, terra onde Jesus nasceu também está ocupada.
Ao retornar para Ramallah, pegamos um taxi, o motorista de cidadania israelense, mas Palestino de coração, me perguntou o que eu estava fazendo lá e respondi que havia sido convidado, mas que defendia no Brasil a luta do povo Palestino me olhou e disse com um tom de regozijo "se tem um povo que é solidário e o povo brasileiro" o olhei e sorri.
O autor, Alex Gasparini, está em viagem à Palestina