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O túmulo que foi violado é o de número 24.052 do Cemitério da Saudade de Promissão |
Promissão - A violação do túmulo e o incêndio do corpo de um idoso de 85 anos estão intrigando a população e a polícia de Promissão (120 quilômetros de Bauru). O fato aconteceu no início da noite de segunda-feira, menos de dez horas após o sepultamento.
José Enes, 85 anos, morava sozinho em uma residência na rua Guarani, no bairro Jardim América, em Promissão. A casa pertencia a ele, que apesar de ter outros familiares, decidiu doá-la a um bisneto, ainda adolescente.
Ele tinha o hábito de toda manhã sair para varrer a rua em frente ao imóvel, mas no último domingo não foi visto durante todo o dia. A dona de casa Lourdes Marinho mora na casa ao lado. Ela disse à reportagem que por volta das 19h resolveu chamá-lo, mas como não respondia, ligou para um sobrinho, em Avanhandava.
Os familiares chegaram ao imóvel por volta de 21h, arrombaram a casa e encontraram o corpo de Enes caído no chão, ao lado de uma poça de sangue, sem ferimentos aparentes. “Ele estava com a cabeça no quarto e os pés na cozinha ao lado de uma poça de sangue”, conta.
Como Lourdes era o elo entre o idoso e as duas filhas, que moram em São Paulo, ela ligou para as mulheres comunicando a morte. Em seguida, acionou a polícia, que comunicou a funerária que recolheu o corpo. Segundo a polícia, um médico emitiu uma declaração de óbito para o sepultamento, no qual a causa da morte consta como desconhecida.
Lourdes contou que Enes era bastante conhecido na cidade. Ele trabalhou como pedreiro e a última profissão foi vigia. Porém, devido a problemas de saúde, não trabalhava há algum tempo. O corpo foi sepultado por volta 10h de segunda-feira.
Violação
O coletor de dados Alexander Donizete Neves, 36, mora na rua Campos Sales, atrás do cemitério. Ela conta que estranhou ao ver uma nuvem de fumaça saindo de dentro do cemitério, próximo ao portão, logo após as 18h de segunda-feira. “Eles geralmente queimam caixões no cemitério, mas no horário de expediente”, conta.
Como a fumaça não desaparecia, ele subiu no muro e viu a tampa de um caixão jogada do lado do túmulo que emitia fumaça. Neves então pulou no cemitério e viu o caixão, já do lado de fora do jazigo, pegando fogo com um corpo dentro. “Quando eu vi, o caixão já estava praticamente todo queimado e as chamas consumiam o corpo”, contou.
De acordo com ele, o caixão foi retirado parcialmente do túmulo, que é alto, e deixado inclinado, com os pés escorados no chão e a parte da cabeça no túmulo.
Diante da cena, Neves correu até o Posto de Bombeiros, que fica a pouco mais de 100 metros da casa dele, e pediu ajuda. Uma viatura foi deslocada para o cemitério. O portão foi arrombado e as chamas apagadas. Ainda, segundo a testemunha, os braços e as pernas de Enes ficaram bastante queimados, mas o tronco não foi muito atingido pelas chamas.
Dezenas de moradores acompanharam o trabalho dos bombeiros e permaneceram no local até a chegada da perícia, o que teria acontecido depois das 21h. Concluída a perícia, o corpo foi colocado na tampa do caixão, que não foi incendiada, e depositado novamente na sepultura, que foi lacrada na presença de familiares.
Investigação
O delegado Paulo César Ramos Poli, que investiga o caso, informou que, apesar de tudo indicar que Enes tenha morrido naturalmente, a polícia já investigaria as causas da morte. Como a sepultura foi violada e o corpo incendiado, a investigação será mais detalhada. “Pedimos a exumação do corpo e a linha de investigação dependerá do laudo”, comenta.
Como a família não concordou com a exumação, foi feita solicitação à Justiça, que autorizou. No final da tarde de terça-feira o delegado foi até o cemitério e aguardava ao lado da sepultura a presença do Instituto Médico Legal (IML) para que o túmulo fosse aberto e retirado material para exame.
Poli comentou que desde que entrou na polícia, nunca soube de um caso parecido.
Sepultura
O túmulo violado é o de número 24.052 do Cemitério da Saudade e pertence à Prefeitura. A construção fica bem próxima a um dos portões de acesso à rua Campos Sales. Apesar de o muro ser baixo, ninguém teria visto alguém entrar ou sair do local para a prática do crime. O cemitério funciona das 7h às 17h45 e não tem vigia após o expediente. Como ontem foi aniversário de Promissão, ninguém da Prefeitura foi encontrado para comentar o assunto.
