Com a ausência de deputado federal eleito por Bauru, os vereadores do município recorrem a parlamentares de seus partidos que, de uma forma ou de outra, possuem algum tipo de ligação com a cidade ou pediram e tiveram votos nas eleições para tentar emplacar emendas ao Orçamento da União. O formato arcaico da regra político partidário, então, se incumbe de transformar a lista de emendas em uma espécie de contrapartida do deputado com as cidades onde teve votos ou mantém vínculos políticos mais fortes.
Em Bauru não é diferente. A questão, neste ano em especial, é que a lista de pendências de emendas que não foram liberadas aumentou e, por outro lado, a cidade ainda aguarda, com boa dose de dependência, a liberação de recursos prometidos para fazer vingar importantes obras.
Grande parte dos pedidos protocolados em Brasília (DF) é voltado a obras de pavimentação. É o caso das emendas reivindicadas pelo presidente da Câmara Municipal, Roberval Sakai (PP). O vereador solicitou ao deputado Paulo Maluf (PP) R$ 550 mil para asfaltamento e rede de galerias do Jardim Eldorado II. Desse total, R$ 250 mil já foram liberados para quatro ruas, que estão sendo licitadas.
Além disso, o pepista também recorreu a Roberto Lucena (PP), solicitando R$ 500 mil para pavimentação de sete ruas no bairro Val de Palmas, uma na Vila Industrial e outra no Parque Jaraguá. O vereador conseguiu também a liberação de R$ 30 mil com o deputado federal do PSDB, Vaz de Lima, para a compra de equipamentos do Esquadrão da Vida.
O pedido do DEM é no valor de R$ 500 mil, por iniciativa da vereadora Chiara Ranieri (DEM) ao deputado federal e presidente estadual da sigla, Jorge Tadeu (DEM). O recurso tem como finalidade a pavimentação da região Oeste de Bauru, contemplando o Jardim Solange, Jardim Ferraz, Vila Santista, Vila Ipiranga, Vila Independência e Jardim Ouro Verde. "O objetivo é levar asfalto às ruas que não estão previstas no cronograma da prefeitura", observou a vereadora.
Chiara afirma que a ponte com Jorge Tadeu foi ?construída? após o processo eleitoral, já que o deputado não foi seu candidato. Ela trabalhou, em 2010, Jorge Maluly, que não se reelegeu, recebendo apenas 188 votos em Bauru, contra 746 do presidente demista. O reposicionamento gerou o vínculo natural com a vereadora.
Já a ligação entre Bauru e o PPS tem como nome o deputado Arnaldo Jardim (PPS), que recebeu 1.507 votos na cidade, na eleição de 2010. Em 2011, o parlamentar apresentou emenda, por solicitação de Moisés Rossi (PPS), de R$ 150 mil para a construção de uma quadra poliesportiva na Vila São Paulo.
Outros R$ 250 mil também foram pedidos. No entanto, esses recursos não serão destinados ao Poder Público diretamente. A Universidade do Sagrado Coração (USC) pode ser contemplada com R$ 150 mil para a ampliação de um núcleo de estudos ambientais.
De outro lado, o Instituto Vidágua pode receber R$ 100 mil para o mesmo objetivo. "Os primeiros documentos já chegaram ao município e o retorno foi enviado a Brasília para oficializar a liberação desses recursos", diz Rossi.
Emendas vultosas
Outro deputado que ?tem contas? e vínculos com Bauru é Milton Monti (PR), que teve 2.066 votos na cidade. O vereador republicano Carlão do Gás não fez cerimônia e pediu emendas de R$ 980 mil para a construção do estádio distrital do Parque São Geraldo, R$ 900 mil para o bosque do Parque União e mais R$ 3 milhões para o bosque do Vista Alegre. "O deputado está se empenhando para garantir esses recursos", garantiu o vereador.
Monti tem se destacado nessa relação de porta voz para as carências de Bauru em Brasília. Ele articulou e refez, como nos anos anteriores, a emenda de bancada de deputados paulistas por R$ 29 milhões para a segunda alça do viaduto inacabado. A verba da primeira alça, de R$ 5 milhões, já havia sido articulada por ele.
O PTB conquistou emendas junto ao deputado Nelson Marquezelli. Quase R$ 89 mil foram destinados à conclusão do muro do Recinto Mello de Moraes, em 2011. Os recursos são oriundos do Ministério do Turismo.
Já o vereador Roque Ferreira (PT) resolveu fazer pedido de R$ 6 milhões para toda a bancada do PT na Câmara Federal. O objetivo é garantir a pavimentação e drenagem de todo o Parque Tangarás. O petista reconhece que será muito difícil garantir a liberação do recurso em razão do alto valor.
O parlamentar diz que não tem a prática de fazer solicitações pontuais. "No caso do Tangarás, esses recursos solucionariam o problema do bairro como um todo. Já os pedidos individuais alimentam o problema dos currais eleitorais. Além disso, essas emendas provocam a descontinuidade na administração, pois os projetos não são respeitados", critica, apesar de assumir a emenda específica para o Tangarás.
Sem pedidos
Outros vereadores não fizeram gestão junto a deputados federais. Renato Purini (PMDB), líder do governo municipal e partidário do vice-presidente da República, Michel Temer, diz que a busca por emendas parlamentares ficou a cargo do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), no caso do PMDB.
No entanto, o parlamentar adverte que o cenário pode mudar no ano que vem, pelo fato de ter assumido o comando da sigla na cidade. E Rodrigo diz que obteve assinatura, entre outras, na peregrinação pelos gabinetes da Câmara Federal, assinatura de R$ 500 mil para Unidade Básica de Saúde de Ricardo Berzoini (PT), por exemplo, entre outras ainda pendentes.
Já o discurso de Marcelo Borges (PSDB) também empurra a conquista de recursos federais para o chefe do Executivo. "Isso é obrigação do Rodrigo. O meu candidato a federal (Carlos Braga) perdeu, então trabalhamos diretamente com o Governo do Estado", afirma o tucano.
Fabiano Mariano (PDT) e Natalino da Silva (PV) contam que não fizeram pedidos pela falta de contatos com deputados federais. O primeiro diz que chegou a conversar com Paulinho da Força (PDT), mas as negociações não foram bem sucedidas. Já o verde lamentou a não reeleição de José Paulo Tóffano (PV) no ano passado.