Auto Mercado

Edição no 300

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Chegamos à edição de número 300 desta coluna com a certeza de termos atingido plenamente o objetivo traçado para ela, que é o de informar assuntos técnicos referentes aos automóveis e motocicletas de forma leve e descontraída, tanto para um público leigo quanto aos mais técnicos e profissionais. Percebemos isso através dos e-mails que recebemos com perguntas dos leitores e dos contatos pessoais no dia a dia. Na semana que passou, quando estive comprando óleo lubrificante para minha empresa no meu amigo Marcão Troca de Óleo, cumprimentei um cliente que lá estava aguardando seu carro e que me reconheceu, dizendo ser leitor assíduo desta coluna. Obrigado João, foi um prazer conhecê-lo também!

O interessante é que sempre surge a pergunta: onde arranjo tanto assunto para a coluna? Afinal, foram trezentas matérias semanais diferentes que procurei nunca repetir, apenas volto ao assunto quando necessário, mas sempre acrescentando um novo enfoque ou informação complementar. O segredo é simples e está com vocês mesmos: suas dúvidas são infinitas!

É a curiosidade que move o mundo e nas conversas que tenho surgem os temas. Como por exemplo, no último sábado durante um encontro com os irmãos do Moto Clube Bodes do Asfalto, enquanto assistíamos ao treino da Fórmula 1 em Interlagos pela televisão, surgiu o comentário do Luiz Gonçalves Jr. de que experimentou o ABS de sua enorme Harley Davidson (conhecida como "nave-mãe" do motoclube) alicatando o manete até o fim para testar a frenagem. Sentiu o manete vibrar, o que era esperado por ele já que é característico de qualquer sistema ABS, tanto de carro quanto de moto. Outros companheiros comentaram que não sabiam que era comum esta vibração e me ocorreu de contar isso a todos. Afinal, se seu veículo tiver ABS e um dia precisar frear forte, ao sentir a vibração não se assuste e mantenha a pressão no pedal (para os carros) ou no manete (para as motos) que o sistema se encarregará de aliviar a pressão o necessário para que as rodas não escorreguem e a frenagem seja a mais eficiente possível. A central ABS monitora o sistema a cada milésimo de segundo, liberando ou não a pressão no fluido de freio e é esse alívio automático do sistema que causa a tal vibração. Sugiro até que quando tiver oportunidade em um local livre e sem movimento, faça um teste de freio pisando (ou apertando) fundo para sentir a tal vibração e se acostumar a ela, sabendo que é inofensiva. Assim não corre o risco de se assustar em uma emergência e aliviar o freio.

De outra conversa surgiu outro assunto. Meu amigo e companheiro voluntário Marcos Cesquini me perguntou outro dia sobre borracha de vedação de portas, por que não se trocam quando se rompem. Como sempre digo, as borrachas são específicas para cada uso e têm composições diferentes. Por exemplo, as borrachas nitrílicas são usadas para todas as aplicações que ficam em contato direto com combustíveis e lubrificantes, já que as borrachas comuns se alterariam pelo contato com os solventes. Toda borracha também se deteriora como tempo e a ação dos raios solares UV. Para a vedação das portas usam-se borrachas comuns que são mais flexíveis e elásticas, portanto aceitam bem uma deformação de acordo com o projeto, melhorando a vedação das portas quando fechadas e voltando à forma inicial quando abertas. Só que são mais frágeis e, com o tempo acabam se rompendo de tanto levar pisão ou impactos na entrada e saída de passageiros ou carga. Isto faz com que se rasquem em alguns trechos, podendo até perder pedaços. É claro que a vedação será prejudicada e o correto então é substituí-la. Só que quem faz isso? Na maioria das vezes ninguém troca e o carro fica com aquela aparência relaxada e velha, além de entrar água pela porta e fazer um barulho sibilante do vento passando. Não custa nada (ou melhor, custa pouco) trocar e manter o carro em ordem.

É através de contatos assim que surgem as perguntas e se esclarecem as dúvidas. Algumas delas respondo diretamente por serem de interesse individual, mas quando podem ser de interesse coletivo, faço questão de publicar na coluna para que outros também possam ter acesso à resposta. A resposta pode ser mais didática ou mais técnica, conforme o caso.

Agradeço aos colegas do JC pela oportunidade e apoio durante todo este tempo, aos amigos pessoais pelas contribuições e críticas e a cada um dos leitores pela assiduidade, pelas perguntas e por fazerem parte da turma. Que chegue logo a edição 400!

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