Polícia

Comerciante é assassinado na rua

Tânia Morbi colaborou Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

“Eu ouvi alguém falando - ‘É o Chris!’, e ele gritou ‘Não sou eu’ . Aí, a gente saiu correndo e foi para dentro do banheiro, porque achamos que o cara tinha vindo para roubar, mas ele só veio para matar”. O relato ainda emocionado é de uma testemunha que estava no local de onde o comerciante Christyan Alexandre Alves de Oliveira, 32 anos, fugiu antes de ser assassinado com quatro tiros na esquina das ruas João Simonetti com Agostinho Fornetti, na Vila Lemos.

O homicídio aconteceu por volta das 10h de ontem e chamou a atenção de muitos moradores do bairro. A vítima foi atingida no peito, na lateral esquerda do tórax, no abdome e na altura da orelha. Ainda extraoficialmente, apenas a bala que atingiu a parte de trás da orelha tinha sinal de saída.

Poucos minutos antes de morrer, Oliveira estava na distribuidora de alimentos da qual era sócio, que fica a alguns metros do local do crime. Na empresa, estavam ainda sua sócia e dois funcionários. 

Segundo eles, ao chegar à empresa que fica na rua Francisco Lemes de Almeida, no mesmo bairro, o comerciante discutia com uma pessoa pelo telefone celular. Como estava nervoso, avisou que que iria sair, mas foi tranquilizado pelos funcionários, que pediram para que ficasse no local até se acalmar. Os trabalhadores afirmaram desconhecer o motivo da discussão. “A gente falou para ele ficar tranquilo e esquecer aquilo”, contou uma das testemunhas.

Poucos minutos depois, quando todos estavam na parte dos fundos da empresa, que funciona em um galpão, um dos empregados viu quando um homem vestido de capuz e touca - que seria magro, de cor parda e cerca de 1,78m de altura, trajando moletom de cor clara e calça jeans - se aproximou e perguntou pela vítima. Quando Oliveira se levantou e negou ser a pessoa que o homem procurava, imediatamente o assassino disparou duas vezes, mas apenas um dos tiros atingiu o comerciante.

Oliveira fugiu pela parte dos fundos da empresa, subiu na laje do imóvel, correu pela rua e caiu na esquina, a vários metros de distância. O primeiro tiro teria ferido o abdome da vítima, que continuou correndo, mesmo ferida. Ele caiu apenas após o segundo disparo, efetuado pelas costas. O tiro na cabeça teria sido disparado pelo assassino como forma de garantir a morte do comerciante.

“Quando houve o primeiro tiro, a gente correu e se escondeu no banheiro, pensando que ele vinha para roubar, os dois saíram correndo e a gente ficou no banheiro”, contou a testemunha.

Os funcionários ficaram escondidos por cerca de dois minutos e, quando saíram, encontraram o corpo ensanguentado do comerciante caído na rua. A esposa de Oliveira está grávida e entrou em estado de choque quando foi comunicada sobre o crime.

Um homem que trabalhava próximo à empresa de Oliveira disse que, após os dois primeiros tiros, ouviu o barulho do motor de uma motocicleta que teria deixado o local. O homem chegou a ver o comerciante correndo pela rua, mas não visualizou o autor do crime.

Segundo depoimentos de testemunhas à polícia, o assassino teria sido visto fugindo em um Astra de cor preta. Temendo represálias, todas elas pediram à reportagem para não ser identificadas.

 

34ª morte

De acordo com levantamento extraoficial feito pelo Jornal da Cidade, a morte do comerciante Christyan Alexandre Alves de Oliveira, 32 anos, é a 34ª registrada em Bauru neste ano. Na ocorrência mais recente, Júlio César dos Santos Bernardo, 25 anos, foi encontrado por volta de 2h da madrugada do dia 30 de outubro em um matagal do Núcleo Habitacional Edson Francisco da Silva, conhecido como Bauru 16. O rapaz, que seria usuário de crack, foi violentamente espancado e, mesmo socorrido com vida, não resistiu aos ferimentos.

 

Polícia Civil investiga 3 teorias

Crime passional, vingança ou desavença de negócios. A Polícia Civil considera, preliminarmente, três hipóteses para explicar o que motivou o assassinato do comerciante Christyan Alexandre Alves de Oliveira, ontem, em Bauru. Horas depois do crime, o delegado Mário Henrique Oliveira Ramos ouviu os funcionários e a sócia da vítima, que estavam no local onde o homicídio ocorreu. A partir de hoje, a apuração do caso segue sob responsabilidade da equipe de homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru.

Na primeira hipótese considerada, a motivação seria passional. Segundo o depoimento de testemunhas, Oliveira mantinha relacionamentos extraconjugais com três mulheres casadas, duas delas de Bauru e uma de São Paulo. A vítima, inclusive, teria comentado recentemente que “um marido bravo” o teria ameaçado de morte.

Uma testemunha chegou a afirmar, enquanto esperava para ser ouvida pelo delegado, que tinha certeza de que o crime seria motivado por conta destas relações amorosas. “Eu imagino que foi passional”, afirma.

A segunda possibilidade cogitada pela polícia refere-se a uma briga que Oliveira teve com um conhecido, há cerca de um mês, por conta de uma desavença de negócios. “Ele chegou a bater nessa pessoa na frente de subordinados dela. O homem teria ficado desmoralizado”, comenta Ramos.

Na terceira linha de investigação, o comerciante pode ter sido morto por ter ameaçado e denunciado traficantes de drogas que teriam executado seu irmão, Bruno Ezequiel Alves de Oliveira, 19 anos, em junho deste ano. O rapaz era usuário de drogas.

“Pelo que as testemunhas contaram, a vítima estava no encalço destas pessoas que supostamente teriam matado o irmão dele. Chegou a denunciá-los à polícia e ameaçá-los. Poder ser que ele tenha sido executado por conta disso”, avalia o delegado.

Bruno foi morto em uma residência utilizada como ponto de venda e distribuição de drogas, no Jardim Carolina. Ele foi atingido na nuca, no tórax e nas costas por uma arma de fogo ainda não localizada. Ontem, a família de Christyan ainda não sabia se o corpo seria enterrado no cemitério do Redentor ou no Cristo Rei. O velório ocorre na São Vicente.

 

 

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