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DAE Bauru precisa ser reinventado

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Em meio às discussões sobre quem deve comandar o Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE), não pode ser perdida de vista a necessidade de um olhar sobre o futuro da autarquia municipal. Há tempos o DAE deixou de ser referência do ponto de vista de gestão. Ao ser utilizada como moeda de troca no jogo político, os valorosos colaboradores, aqueles que efetivamente dão sustentação à entidade, perderam voz e força, e com isso o departamento de água de Bauru perdeu sua identidade. Os desafios são enormes. Primeiramente porque o DAE não trabalhou no sentido de recuperar a sua capacidade de investimento. Trabalha pontualmente, sempre a reboque, com ações corretivas e não preventivas.

Segundo porque não definiu seu planejamento estratégico. É preciso definir com clareza sua missão, seus valores, enfim, o negócio em si, para em seguida traçar um plano que permita atingir seus objetivos. O que transparece é que não há objetivos. Sempre que há um movimento em alguma direção que mude estruturalmente a autarquia, há um verdadeiro bloqueio pelo receio de que a conclusão seja privatizá-la. É um enorme equívoco, como se uma coisa fosse necessariamente ligada à outra. Não é preciso privatizar para se obter excelência em gestão. O terceiro e não menos importante desafio é definir o que fazer com o tratamento de esgoto. Ficou mais que provado que, apesar da boa vontade dos profissionais do DAE, insisto, valorosos profissionais (os de carreira), a autarquia não estava e não está preparada para administrar esse novo, diria, "negócio".

Mesmo hoje é muito difícil estabelecer com clareza o que é atribuição do DAE e o que é atribuição do Tratamento de Esgoto. Mesmo com verba carimbada a separação entre ambos é tênue. Dentro do planejamento estratégico poderia surgir inclusive a necessidade da criação de uma nova empresa, específica para gerenciar o tratamento de esgoto da cidade. O que é frustrante observar é que os interesses políticos, de quem dá as cartas na entidade, se sobrepõem ao interesse coletivo. A população deseja, em última instância, uma autarquia produtiva, que maximiza os resultados e reduza custos e seja eficiente no que realiza.

Estamos a menos de um ano das eleições e esperamos que o tema seja amplamente discutido e que soluções estruturais sejam propostas. Em fim de mandato nada ou quase nada será feito. A conclusão, por tudo que vem ocorrendo na autarquia, é que o DAE precisa ser reinventado.


O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC

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