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Soberba do burro pragmatismo político!

Clodoaldo Gazzetta
| Tempo de leitura: 2 min

O reducionismo das discussões políticas sobre as eleições de 2012 para um clássico referendo, onde as previsões dos oráculos da política local profetizam que o resultado das urnas já se conhece, cabendo apenas a escolha de um notório candidato a vice, o qual herdará o espólio de uma cidade que aos olhos de alguns caminha sem problemas e conflitos, é um sinal claro e evidente que parte das forças políticas da cidade perdeu o rumo e principalmente a seriedade que o momento requer, pois precisamos aprofundar as discussões programáticas, sem a qual, não criaremos as condições necessárias para aproveitarmos as oportunidades que a nova socio-economia mundial irá proporcionar para cidades do porte de Bauru.

Infelizmente alguns parecem que perderam a capacidade de indignação, e principalmente a orientação visionária que qualquer ser humano precisa ter, sem o qual, vira escravo do cotidiano e do burro pragmatismo político! Até acredito que mergulhamos nesta inércia por conta de sucessivos governos sem realizações, mas bastou alguém entreabrir um dos olhos na escuridão, que muitos parecem se contentar apenas com a pouca claridade, e se acomodam diante de uma pequena e inebriante visão de plantão.

Longe de mim a leviandade de não reconhecer os avanços. São poucos, mas claro que são reais, palpáveis, revestidos de obras onde é possível inclusive sentir o calor e o odor provocado pelo asfalto e o escapamento dos carros. Só não posso concordar que isso cheira progresso, e que o futuro promissor de nossa cidade, está e será, baseado apenas neste tipo de intervenção, enquanto toda a estrutura de gestão municipal continua fundamentada no século passado, engessada pelas prisões burocráticas e corporativistas, e impregnada de clientelismo e barganhas políticas. Essa sim é a nossa real situação! E infelizmente neste contexto, só se avança um milímetro em direção ao desenvolvimento, se o poder público carregar consigo uma estrutura podre, obsoleta e infelizmente submissa a grupos econômicos. Para quem se acomoda ou se locupleta estamos no melhor cenário, no melhor dos mundos, na melhor situação! E neste contexto, só nos resta mesmo escolher o perfil do vice, inclusive, não se deve desperdiçar os princípios da democracia, pois se pode escolher o tal vice através da seleção de currículos, ou quem sabe, uma pequena entrevista para avaliar a disposição em participar de eventos, ou uma possível notória especialização.

Como não posso concordar com a visão dos míopes, uma vez que todas as teorias contemporâneas das quais acredito e entendo como fundamentais para uma gestão pública equilibrada e sustentável, prevista em todas as doutrinas do planejamento estratégico e da gestão participativa, nos apontam contundentemente que Bauru infelizmente caminha pelo caminho errado, espero ter pelo menos melhor sorte que o filósofo italiano Giordano Bruno, condenado pela inquisição apenas por defender o que já se sabia há 4,5 bilhões de anos, de que a Terra, não tem a soberba de ser o centro do universo, assim como não podemos admitir a soberba dos que querem definir a eleição, antes mesmo que a nossa população seja democraticamente consultada.


O autor, Clodoaldo Gazzetta, é biólogo e ambientalista

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