Estava outro dia lendo um jornal de grande circulação da nossa Capital e me deparei com a notícia a respeito da indignação dos enfermeiros e corpo médico de um hospital paulistano pelo fato de uma detenta parturiente estar na referida instituição para realização do seu parto e a mesma estar algemada, e inclusive mostraram-se também indignados pelo fato de a mesma, após o parto e no momento do aleitamento, permanecer com algemas e em pé.
Aí vem o pior, nosso governador vem a público, via mídia, mostrar sua indignação com o ocorrido afirmando que iria abrir uma sindicância e averiguar o fato ocorrido, pois deve-se privar pelo atendimento humanizado ao detento. Também disse nosso governador que no momento em que o detento adentra numa unidade de saúde o mesmo é de responsabilidade da mesma. Porém, jamais tive conhecimento de ser aberta uma sindicância contra um médico, enfermeiro ou hospital devido à fuga de algum detento do local onde o mesmo está sendo atendido.
A sindicância e posterior processo na Justiça ocorrem sempre contra policiais, agentes penitenciários e agentes de segurança (ex-Febem). Ninguém é favorável à truculência ou violência, mas é fato consumado que por diversas vezes detentos ou menores infratores tentam fugir quando encontram-se em hospitais, senão não haveria inclusive a necessidade de escolta policial no momento do atendimento médico.
Por isso considero infeliz e midiáticas as declarações do governador a esse respeito, mas se realmente o mesmo considera que é responsabilidade do hospital ou qualquer outro setor de saúde a escolta do detento e/ou menor infrator, dentro das suas instalações, então que informe aos policiais, agentes penitenciários e agentes de segurança onde está tal determinação na lei. Senhor governador, pense mais antes de comentar fatos na mídia e se não tiver conhecimento do fato sugiro que informe-se antes.
PS: ao invés de proibir garupa nas motos na Capital, que tal pagar salários dignos aos policiais, capacitá-los e fornecer aos mesmos melhores armamentos. A proibição do garupa generaliza todo cidadão como marginal
Fábio Riccó