Articulistas

Extinção dos exames vestibulares

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Problemas ocorridos com os dois últimos Exames Nacionais do Ensino Médio (Enems), de anulação total ou parcial por vazamento de questões que levaram a impasses principalmente judiciais e que geraram milhões de reais de prejuízos ao País, aos concorrentes e às famílias, queiramos, concordemos ou não, nos levam a uma reavaliação deste processo seletivo que, para os jovens e famílias, constitui uma traumatizante passagem.

Tais fatos de vazamentos, falcatruas têm-me levado desde há muito tempo e acredito também a milhões de pais e cidadãos para a além de um sentimento de insegurança a um autoquestionamento - como é possível, será que não existe pessoas honradas e confiáveis que possam desenvolver este processo seletivo como deveria ser feito, isto é, imparcial e honestamente? Onde está o ponto vulnerável ou fraco, falta de fiscalização, nas gráficas que imprimem as provas, nos formuladores das questões ou na distribuição, onde, enfim? Aliás, diga-se de passagem que eu sempre fui contra a seleção pelos exames vestibulares, pois considero-os discriminatórios, pois somente os alunos que podem pagar os excelentes cursinhos ? e que não são baratos - têm a oportunidade de acesso às universidades públicas como em algumas particulares, quando a avaliação ou capacitação dos candidatos às vagas pretendidas deveriam ser decorrência de um longo tempo de escolaridade. Corroboram com esta minha tese, da ineficácia dos vestibulares e da necessidade de sua substituição por outro sistema, ocorrências que tive conhecimento, a mim relatadas pela Reitora da Unoeste de Presidente Prudente, Professora Ana Cardoso Maia e que constam do Jornal "Oeste Noticias", edição de sábado, 26, site www.oestenoticias.com.br com o título " Quadrilha tenta fraudar vestibular de medicina" em que havia uma concorrência de 30 candidatos por vaga em que vestibulandos pretendiam se beneficiar e pagariam até 30 mi pela "ajuda" dos fraudadores.

Após a prisão pela Polícia local de uma quadrilha formada por 12 malandros vindos de Goiânia e Rio de Janeiro, o que impressiona é a alta tecnologia digital que os mesmos empregam, scaner portátil, óculos com câmera, e receptor de transmissão. Imaginemos, se agora é assim, como será de hoje a algum tempo? Onde chegarão? Como disse anteriormente, tais fatos vêm reforçar a tese; de que como a educação é um processo lento e gradual, o aluno deveria ser avaliado não apenas em um dia e horas mas ao longo de seus anos de escolaridade comprovada pelos seus históricos escolares, desde o final do fundamental e durante todo o ensino médio.

Por uma análise criteriosa feita pelas universidades e faculdades dos históricos escolares, das disciplinas em que se sobressaiu, de suas notas e outros indicadores que mostrariam sua capacidade e aptidão para determinados cursos superiores. Se para nós brasileiros, essa seleção poderá parecer utópica, vem sendo adotada de há muito por outros países de primeiro mundo em que realmente as oportunidades são iguais para todos. Mas é claro que essa mudança demanda tempo muito tempo, de leis, investimentos maçiços a começar do ensino fundamental e, principalmente, mudança de mentalidades.


O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor

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