Bairros

61% dos bauruenses sobrevivem com até R$ 1.090 de renda

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Quase dois terços da população economicamente ativa de Bauru sobrevivem com até dois salários mínimos por mês. Segundo dados do Censo 2010, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 125.294 moradores - ou 61% das pessoas que possuem renda na cidade - recebem o equivalente a até R$ 1.090,00. Embora o rendimento seja pequeno, com alguma organização financeira é possível sobreviver e até conquistar sonhos, segundo afirma especialista e trabalhadores “milagreiros” consultados pela reportagem.

Um deles é a diarista Fátima Aparecida de Oliveira, 52 anos, que recebe exatamente dois salários mínimos por mês. Depois de criar três filhas, ela, que se considera extremamente organizada, conseguiu construir sua casa em quatro anos, que ainda está em fase de acabamento.

Além de investir no imóvel, ainda consegue poupar pequenas quantias mensais para, futuramente, comprar um carro. Com a ajuda do marido, que ganha pouco mais do que ela, Fátima diz manter uma vida confortável, com algumas privações, mas sem que nada de necessário lhe falte.

“Juntando os dois salários, a gente destina cerca de R$ 800,00 para terminar a casa. Ele paga as contas fixas de luz, água e alimentação, eu pago minhas contas em loja e ainda sobra uns R$ 100,00 para a poupança”, revela.

Malavolta Jr.

Wesley se disciplinou para destinar parte de seu salário a uma poupança para a faculdade

Apesar de ter planos de comprar um carro com o dinheiro guardado, é esta reserva que socorre o casal quando o marido, que trabalha como pedreiro, não encontra serviço. “Ele trabalha por dia e tem épocas em que fica sem receber. Mas, mesmo assim, a gente nunca precisou fazer empréstimo ou atrasar o pagamento das dívidas”, ensina.

A lição da diarista é a que deveria ser seguida por todas as pessoas que pertencem às classes C e D, segundo orientação do economista Fernando Pinho. Para ele, mesmo casais com filhos - que representam custos adicionais que não podem ser desconsiderados - podem vivem bem se souberem administrar o orçamento doméstico.

“Quanto mais a pessoa conseguir poupar, melhor, mas a recomendação é de que um casal reserve de 15% a 20% da renda líquida. Se for um jovem que mora com os pais e não contribui com as despesas da casa, deve guardar metade do salário”, observa.


Sonho

Não é o caso do operador de caixa Wesley Gomes Rodolfi, 23 anos, que ganha dois salários mínimos e não é casado, mas auxilia os pais nas contas da casa, com quem mora na Vila Industrial. “Minha mãe não trabalha e meu pai ganha cerca de R$ 1,5 mil como mestre de obras, então sempre ajudo a comprar o que precisa”, diz ele, que também tem parte da renda comprometida com o financiamento do veículo próprio e com contas em lojas, oficina mecânica e alguns passeios de fim de semana.

O pouco que sobra, ele diz, vai direto para a poupança, que tem como objetivo custear uma futura faculdade de engenharia. “Não deixo de fazer nada do que eu quero, mas tento apertar os gastos o quanto posso, porque quero guardar dinheiro para fazer um curso superior. É um sonho que não sei ainda quando vou conseguir realizar”, conta.

Mas o economista Fernando Pinho ensina que, além da boa gestão financeira, o ideal é que o trabalhador que viva com um orçamento justo saiba tirar proveito das boas oportunidades de mercado e também dos subsídios oferecidos pelo governo, inclusive para os estudos. “As pessoas podem financiar a casa própria dentro dos programas federais, contar com o plano de saúde e bolsa para fazer faculdade oferecidos pela empresa onde trabalha ou mesmo bolsa do governo (por meio do ProUni, Fies ou Bolsa Universidade). Também pode aproveitar inúmeras ofertas para a aquisição de outros bens materiais, desde que mantenha sua vida financeira equilibrada, livre do acúmulo de dívidas em atraso”, detalha.

 

Mulheres são ‘chefes’ de 40% das famílias

Segundo dados do Censo 2010, o número de homens chefes de família continua sendo maior que o de mulheres em Bauru, mas elas já representam 40% das pessoas responsáveis pelos lares da cidade. Ao todo, 44.049 trabalhadoras são “chefes de família”, enquanto 65.898 homens são responsáveis pela manutenção dos domicílios.

Dentro do grupo de trabalhadores que recebem até dois salários mínimos por mês em Bauru, 79.381 (38,7% da população economicamente ativa) têm rendimento mensal que varia de um a dois salários mínimos, ou seja, de R$ 545,00 a R$ 1.090,00. Outros 45.913 (22,4%) residentes ganham menos que um salário (R$ 545,00) por mês.

Quando se soma tudo aquilo que uma família ganha em um mês, 40,5% dos domicílios da cidade são mantidos por rendimentos entre dois e cinco salários (teto de R$ 2.725,00). Ao todo, 95.577 pessoas não possuem renda na cidade, mas, nesta soma, também estão incluídas crianças e adolescentes maiores de 10 anos.

Comentários

Comentários