Em entrevista ao Jornal da Cidade, ontem, Muller, uma das principais atrações do Jogo Solidário, comentou sobre a decisão do Campeonato Brasileiro, Seleção Brasileira, relembrou equipes marcantes de sua carreira e falou também sobre o prazer em participar de um evento beneficente, como a partida de hoje no BTC. Para Muller, o Corinthians conquistará o título brasileiro, amanhã. "Creio que o Corinthians será campeão, primeiro pela regularidade que o time teve durante todo o campeonato. Segundo, porque o Corinthians tem mais time do que o Palmeiras, é um time mais equilibrado, mais consistente, não depende de um jogador só, depende do grupo para vencer uma partida. Esta diversidade de jogadores decisivos dentro de campo faz com que o Corinthians se torne favorito e seja campeão", aposta.
Na condição de comentarista esportivo, função que exerce atualmente, Muller ainda analisa o trabalho do técnico Mano Menezes à frente da Seleção Brasileira. "O Mano perdeu tempo, porque apostou em renovações erradas. Acredito que o Brasil já era para ter, neste momento, uma base formada. Aí, sim, os jogadores que entrassem iriam compondo e ficaria mais fácil a adaptação. Não temos um time hoje. É claro que no ano que vem o Mano tem que formar uma equipe. Ele vai ter que disputar a Copa das Confederações (em 2013) com uma equipe formada, sendo praticamente a equipe do Mundial. A CBF programou 15 datas de amistosos em 2012 e nestas 15 datas o Brasil já tem que chegar com um time formado, uma base formada", aponta Muller, que ainda cita Lucas Leiva e Fernandinho como convocações das quais discorda. "É uma questão de preferência dele, mas a aposta em jogadores que não têm futuro na Seleção atrasou o trabalho do Mano", diagnostica.
Relembrando a longa carreira, na qual jogou pelos quatro grandes clubes paulistas, São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos, além de ter atuado pelo Cruzeiro e no futebol italiano e japonês, Muller aponta os dois melhores times em que atuou. "O São Paulo de 1985 e o Palmeiras de 1996 são as duas melhores equipes tecnicamente em que joguei. A gente se divertia", define. Os dois clubes são também com os quais Muller tem maior identificação. "É mais (identificação) com o São Paulo, porque joguei mais tempo lá, joguei dez anos no clube e ganhei 17 títulos. No Palmeiras ficou uma identificação boa também por este time de 96, com o qual ganhei 50 jogos com 102 gols. Foi uma coisa inusitada e prazerosa. A gente ia para o jogo, estava 3 a 0 no primeiro tempo e queria fazer mais. A quantidade de gols não relaxava a equipe. Foi um ano memorável", recorda. "A década de 90 para o Palmeiras foi essencial. Tirou o Palmeiras da fila e a ?era Parmalat? foi muito benéfica, com uma sequência de títulos", considera.
A passagem pelo Palmeiras marcou uma mudança no perfil do jogador Muller, que mostrou qualidade também para servir os companheiros, além da velocidade e habilidade que já o haviam consagrado. "Ali foi a fase do amadurecimento e provei isso, unindo a técnica com a velocidade. Com isso, cresceu muito o meu futebol. Foi uma das melhores fases da minha carreira. Pelo Santos também tive uma fase excelente. Boa parte dos gols mais bonitos de minha carreira marquei pelo Santos", lembra.