Política

Goteiras ?moram? na escola do Parque Santa Edwirges

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Um ano depois e quase nada mudou. Essa é a realidade dos pais e alunos da Emeii Mônica Cristina Carvalho, no Parque Santa Edwirges. O prédio da escola foi interditado em novembro de 2010 após a queda de parte do muro traseiro do local após um temporal acompanhado de vendaval. Por conta disso, as crianças de 2 a 5 anos de idade passaram a ser atendidas no prédio improvisado de uma unidade escolar do bairro que está desativada. O local não apresenta condições adequadas e, 12 meses depois, os mesmos problemas persistem e as crianças continuam por lá.

Após a chuva da tarde de anteontem, a reportagem flagrou o improviso com baldes e sacos plásticos para conter goteiras dentro das salas de aula. Em fevereiro do ano passado, o mesmo problema foi relatado por pais de alunos e mostrado pelo Jornal da Cidade. As informações são de que a entrada de água na escola é um fato corriqueiro.

Alguns pais foram buscar as crianças antes mesmo do horário de saída, preocupados em razão da forte chuva. "Quando chove molha tudo. Passa um monte de coisas na nossa cabeça. Então eu venho pegar o meu filho", afirmou a dona de casa Sirleide de Souza.

A situação se agrava ainda mais pelo fato de o prédio da antiga Emei Arlindo Boemer de Azevedo Guedes contar com apenas três salas para atender a 107 crianças atualmente. Para que isso seja possível, é necessária a ocupação das áreas comuns, como o pátio e um quiosque que foi recuperado desde a ocupação do local.

Como atende a crianças de até cinco anos em período integral, outra dificuldade, em razão do espaço restrito, é garantir o soninho dos alunos, conforme relato dos pais.

A Secretaria municipal de Educação considera, porém, que as crianças são bem atendidas no local e todas as providências necessárias foram tomadas. "Não é a estrutura ideal, mas os alunos são prioridade. Problemas com goteiras acontecem em diversos locais, ainda mais como uma chuva como a de ontem (quinta)", pontuou a titular Vera Casério.

A professora afirma ainda que a pasta não recebe qualquer tipo de reclamação formal de pais de alunos ou da diretoria da escola.


Mobilização antiga

Diante da situação, o vereador Natalino da Pousada (PV) apresentou requerimento solicitando informações sobre o caso da Emeii, questionando o porquê do muro da escola não ter sido reconstruído um ano depois de sua queda. No entanto, o parlamentar acompanha a situação há muito tempo.

Em abril deste ano, Natalino se reuniu com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) a fim de cobrar soluções para o problema. O encontro contou ainda com a participação de moradores do Parque Jaraguá e do Santa Edwirges, que entregaram um abaixo assinado pedindo providências ao Poder Executivo.

A coordenadora do Grupo de Mulheres em Ação do Santa Edwirges, Mirna da Silva Lobo Botelho, conta que, na ocasião, Agostinho se comprometeu a solucionar o caso. No entanto, foi necessária outra coleta com mais de 200 assinaturas durante o mês de outubro. Uma nova reunião foi realizada na manhã de ontem, com a presença de Natalino, mas o prefeito não pode comparecer. "Passou um ano e os problemas continuaram os mesmos", disse, revoltada.

Segundo Mirna, outro problema é a falta de espaço adequado para os alunos já matriculados, criando uma demanda ainda maior pela impossibilidade de ampliação de novas vagas enquanto a escola permanecer no prédio improvisado.

____________________

Quando fevereiro chegar

A reforma da sede da Emeii Mônica Cristina Carvalho foi iniciada no dia 22 de novembro, segundo a Secretaria municipal da Educação. A previsão é de que as obras sejam concluídas no prazo de 60 dias para que, no retorno do ano letivo de 2012, as aulas sejam iniciadas no local.

No entanto, as crianças serão atendidas no prédio provisório até o dia 15 de dezembro, quando terminam as aulas de 2011. Os alunos que frequentarão escolas durante o período de férias, irão para um dos 10 polos de atendimento especial nos meses de dezembro e de janeiro.

Apesar da expectativa da tardia solução para o problema, Mirna Botelho questiona a falta de planejamento da administração municipal pelo fato de as obras terem começado justamente no início do período de chuvas. A secretaria de Educação, porém, garante que a empresa responsável pelos trabalhos já conta com esse tipo de imprevistos para concluir as obras dentro do prazo esperado.

Assim que o prédio da escola desativada for desocupada pelas 107 crianças da Emeii, ele será reformado pelo município para a criação de uma nova unidade escolar de ensino infantil. "Existe muita demanda por lá. O bairro precisa de mais uma escola", afirma a secretária Vera Casério.

Dedo na burocracia

A lentidão dos tramites burocráticos para licitações e contratações é o principal fator apontado pela Vera Casério para tentar justificar a demora de um ano na solução do problema da Emeii do Santa Edwirges.

Toda a estrutura do muro estava afetada e, inicialmente, a Secretaria municipal de Obras assumiria os trabalhos. No entanto, a secretária conta que o município não possuía maquinário adequado para a intervenção.

A partir disso, a Secretaria municipal do Planejamento (Seplan) se responsabilizou pela elaboração do projeto executivo da obra. Entretanto, Casério não soube precisar por quanto tempo a Educação esperou pelo estudo.

A secretária, porém, afirma que, com a liberação do projeto, já estava aberto o processo de licitação para a contratação de uma empresa para executar pequenos reparos nas unidades escolares do município. "Decidimos esperar a escolha da empresa para que ela assumisse a obra. Se abríssemos uma nova licitação, demoraria ainda mais. Uma licitação não dura menos do que seis meses", avalia.

A empresa que executará a obra na escola é a Lecom, de Araraquara. Segundo a Educação, o custo será de R$ 335.963,50, envolvendo a construção do muro, serviços de drenagem e a recuperação do berçário e do solário da unidade, atingidos pela rachadura do muro.

Comentários

Comentários