Antônio Cruz/ABr |
|
|
Depois de meses pressionado, Lupi não resistiu e pediu demissão na tarde deste domingo |
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão do cargo na tarde deste domingo, após reunião com a presidente Dilma Rousseff.
Por meio de uma nota publicada no Blog do Trabalho, Lupi justificou sua saída: “(por causa da) perseguição política e pessoal da mídia que venho sofrendo há dois meses sem direito de defesa”.
O ministro deixou o cargo após a Comissão de Ética Pública da Presidência da República recomendar sua exoneração no último dia 30.
Com a confirmação do pedido de exoneração de Lupi, já são sete os ministros afastados no primeiro ano do governo de Dilma Rousseff: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).
Relembre o caso
A situação do ex-ministro começou a ficar complicada quando a Revista Veja divulgou um suposto esquema de propina realizada por integrantes do ministério para a liberação de repasses para ONGs. Lupi foi questionado sobre uma carona em um avião pago pelo empresário Adair Meira, que controla duas ONGs que tem convênios com o ministério, durante uma viagem oficial ao Maranhão, em dezembro de 2009.
Lupi negou na Câmara dos Deputados que conhecesse Meira, mas um vídeo também revelado pela Veja mostrou imagens dos dois juntos. O ministro negou com veemência as acusações durante vários dias, seja no Congresso ou em entrevistas coletivas, mas sua situação ficou insustentável quando uma versão contrária a sua defesa veio à tona e a Comissão de Ética deu seu veredicto.
Leia na íntegra a nota do ex-ministro:
"NOTA OFICIAL
Equipe do Blog , 4 de dezembro de 2011
Tendo em vista a perseguição política e pessoal da mídia que venho sofrendo há dois meses sem direito de defesa e sem provas; levando em conta a divulgação do parecer da Comissão de Ética da Presidência da República – que também me condenou sumariamente com base neste mesmo noticiário sem me dar direito de defesa — decidi pedir demissão do cargo que ocupo, em caráter irrevogável.
Faço isto para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o Trabalhismo não contagie outros setores do Governo.
Foram praticamente cinco anos à frente do Ministério do Trabalho, milhões de empregos gerados, reconhecimento legal das centrais sindicais, qualificação de milhões de trabalhadores e regulamentação do ponto eletrônico para proteger o bom trabalhador e o bom empregador, entre outras realizações.
Saio com a consciência tranquila do dever cumprido, da minha honestidade pessoal e confiante por acreditar que a verdade sempre vence.
Carlos Lupi
Ministro do Trabalho e Emprego"