Washington - Canais oficiais de notícias do Irã anunciaram ontem que as Forças Armadas do país derrubaram um avião-robô americano que supostamente sobrevoava o leste de seu território, acusando os EUA de usarem o equipamento não-tripulado para espionar.
A acusação vem na esteira do acirramento das tensões entre Teerã e as potências ocidentais que culminou, dia 29, na invasão da embaixada britânica na Capital iraniana, após os EUA e os europeus decidirem impor novas sanções ao Irã ante o novo relatório da Agência Internacional de Energia Atômica.
O documento, de novembro, indica fim bélico no programa nuclear do Irã, ao contrário do que alega Teerã.
Não houve reação oficial imediata dos EUA, mas um representante do governo americano que falou à reportagem sob condição de anonimato disse que não havia indícios, até o fim da tarde de ontem, de que o Irã tenha abatido o “drone”.
Já a Isaf (força militar da Otan no Afeganistão) admitiu que a aeronave pode ser um “drone” dos EUA usado em missões de reconhecimento em território afegão, sem armas, que teria “saído da rota” na semana passada.
“Os operadores perderam o controle da aeronave e estão trabalhando para determinar seu status”, diz o comunicado da Isaf.
Alegações semelhantes foram feitas pelo Irã no passado, a última delas em janeiro, sem comprovação.
Ao relatar o suposto incidente, a agência iraniana Irna citou um oficial militar para o qual se trata de um “exemplo claro de agressão às fronteiras iranianas”.
Segundo esse militar, cujo nome não foi revelado, o equipamento do tipo RQ170 foi levemente avariado e está sob custódia de Teerã.
Nenhuma imagem da aeronave foi divulgada.
Os EUA mantêm um controverso programa de “drones” na fronteira do Afeganistão com o Paquistão (sul e leste do país), onde as aeronaves são usadas para matar suspeitos de terrorismo.
Neste ano, segundo o centro de estudos New America Foundation, dos EUA, foram 70 incursões até 15 de novembro (desde 2004, elas deixaram de 1.717 a 2.680 mortos, 17% dos quais, civis).
Ataques assim já ocorreram no Iêmen, mas não no Irã.