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?Bando de loucos? invade a Getúlio

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O jogo entre Corinthians e Palmeiras não havia nem terminado e a avenida Getúlio Vargas começou a ser invadida por um "bando de loucos". Bastou o árbitro encerrar a partida no Rio de Janeiro entre Vasco e Flamengo, que terminou empatada, para os corintianos irem ao delírio.

Em pouco tempo, a avenida foi sendo tomada por torcedores que chegavam de carro, de moto, a pé ou que estavam nos bares próximos. Por todos os lados, fogos de artifícios, buzinaço, aceleração no último de motores e gritos de "é campeão".

Cada minuto que passava, o "bando" ia aumentando e a quantidade de carros também. Para inibir excessos, a Polícia de Trânsito fez-se presente no local e distribuiu algumas multas a alguns torcedores mais exacerbados que estavam comemorando sentados na janela do carro em movimento, ou transitando pela avenida com o porta-malas aberto para que o hino do Corinthians fosse ouvido por todos.

Mas a comemoração ganhou tamanha proporção que foi impossível a polícia manter a ordem total. Cerca de meia hora após o fim do jogo, o trânsito praticamente parou na avenida, para desespero dos motoristas que não eram corintianos.

Para os campeões, tudo era festa. Valia gritar, bater no peito, agitar bandeira e até ficar parado no trânsito, algo que seria motivo de irritação em qualquer outro dia. Mas não ontem, o "bando de loucos", que era a maioria dos motoristas na Getúlio, estava feliz com o quinto título brasileiro.

No meio de toda a agitação estava o pequeno Gabriel dos Santos Tavares, 4 anos. Ele acompanhava tudo atentamente no colo do pai, ou melhor, do "louco" Gilvan Tavares Júnior, 25 anos. Era a primeira vez que o menino participava de uma festa tão barulhenta. E não parecia assustado. Muito pelo contrário. Fez até sinal de positivo com o polegar ao posar para fotos.

Segundo o pai, ontem foi a primeira de muitas outras festas semelhantes que virão pela frente. "Isso aqui é para ele ir se acostumando", disse o pai, quase sem voz por tanto gritar.

Para Jonathan Douglas Lopes de Marchi, 20 anos, o jogo de ontem foi sofrido, difícil do começo ao fim, mas o resultado foi justo por premiar o time mais regular do campeonato.

O discurso era o mesmo de Pedro Cabrera, 23 anos, outro "louco". Enrolado em uma toalha com o escudo do time campeão, ele afirmava enfaticamente: "(o título) foi justíssimo!" Segundo ele, o Corinthians não fez uma grande partida ontem porque o empate era o suficiente para a conquista do título. "O time não arriscou, jogou pelo empate, mas mesmo assim tá valendo. Somos campeões", comemorava ao lado da namorada Sarita Bergamo, 22 anos.

Enquanto a festa corria solta, palmeirenses e são-paulinos observavam parecendo não acreditar no que viam. "Estou com muita raiva. Eu não acredito que eles foram campeões. Ainda mais em cima do meu time. Que ódio", lamentava a indignada torcedora alviverde Ana Beatriz Romoaldo, 19 anos, com a camisa do Palmeiras enrolada na cabeça. "Não foi justo. O time deles é ruim. Não mereciam o título", reclamava cheia de inveja a são-paulina Gabriela Maquiroli.

Enquanto isso, o "bando de loucos" só aumentava, feliz da vida, e ocupava não apenas a avenida Getúlio Vargas, mas todas as outras que faziam ligação com ela. Durante todo o dia de ontem e especialmente após a partida, o vermelho e branco, cores típicas desta época natalina, deram lugar ao preto e branco. Só pode ser coisa de "louco".

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