Uma terrível, chocante e lamentável imagem, para sempre gravada na minha retina: uma pobre ave, coberta de petróleo, inocente vítima de um dos muitos vazamentos que, com absurda frequência, ocorrem em vários pontos do planeta, e eis o tema que me serve de inspiração para esta carta.
Com efeito, é espantoso constatar que, não obstante toda a moderna tecnologia, todo esse aparato, que permite extrair o ouro negro das profundezas oceânicas, é deplorável que as empresas petrolíferas não disponham de mecanismos eficientes para minimizar e evitar os desastres ecológicos que representam o vazamento do petróleo "in natura", cujos resultados são sempre os mais danosos para o meio ambiente, como um todo.
Assim, depois das catástrofes da Exon, no Alasca, e mais recentemente no México, o Brasil é agora a bola da vez nessa lambança petrolífera, pois em apenas 8 dias vazaram 3 mil barris de petróleo de um poço da Chevron, no campo de Frade, bacia de Campos, RJ, afetando uma área de 160 quilômetros quadrados, comprometendo assim sériamente o ecossistema local, com a terrível possibilidade do bruto chegar à já poluida Baía da Guanabara!
O planeta não aguenta mais tanta irresponsabilidade, tanta falta de critérios, tanto desleixo, por parte dos ditos "seres racionais", que um dia ainda acabam com essa nossa grande casa, o planeta Terra. E aí?
Marcos Vieira da Silva - jornalista - Iacanga