Tribuna do Leitor

Vitória Rock - patrimônio de Bauru


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No último domingo prestigiamos o evento "Rock do bem", cujo principal objetivo foi arrecadar brinquedos para que as crianças carentes tenham um Natal um pouco mais feliz. Foi uma grande festa. Um ambiente alegre e nostálgico ao mesmo tempo. Por quê? Por causa do ?Vitória Rock?! Como era bom passar aquelas tardes de domingo ouvindo grandes clássicos do Rock?n Roll interpretados por bandas da nossa região. E, ao contrário do que se imagina, muitas famílias frequentavam o local. Casais
apaixonados e crianças sorridentes adornavam aquele espaço.

Assim como o futebol, a música é uma paixão em comum em muitas pessoas.
Ouso dizer que até mais apaixonante e fanática do que o futebol. Na música ninguém perde. Ninguém briga por que um gosta de Metallica e outro
de Ramones. A música é ímpar: é alegria! Mas, como todos sabemos, os vizinhos do Parque Vitória Régia e alguns dos vereadores da época da
extinção do evento fizeram o possível para acabar com ele. E conseguiram.

Muitas foram as alegações. As principais foram que os jovens aproveitavam o festival para se drogar, se embriagar e brigar. Além da sujeira que
ficava depois e do barulho que incomodava os vizinhos durante as apresentações. Motivos justos e eficientes para a extinção do Vitória Rock, mas todos muito questionáveis. Realmente havia muito consumo de drogas e álcool. Contudo, muitos se esquecem que o álcool é uma droga lícita e em qualquer lugar que ele seja
vendido tem gente comprando e, claro, consumindo. E para as drogas, qual a desculpa? Primeiramente, que fique claro que
menos de 1% dos frequentadores fazia uso de entorpecentes, enquanto a grande maioria se incomodava com o forte cheiro de maconha. Em segundo lugar, o evento sempre foi patrulhado por um bom número de policiais. Não
eram eles que deviam cuidar disso? E a violência? Eu fui frequentador assíduo e não me lembro de ter visto nem ouvido falar de nenhuma briga,
agressão ou coisa do gênero.

Em relação ao lixo, posso afirmar que realmente o estado do parque era lastimável quando tudo terminava. Porém, colocavam um único tambor de lixo para  todo o público usar. Público que já ultrapassou o número de 4 mil pessoas. Como manter um nível mínimo de limpeza sem que inexistam condições para tal? Por fim, o barulho ensurdecedor das guitarras elétricas. Ora, a
justificativa de Bauru ter um anfiteatro é justamente a possibilidade de ocorrerem variadas apresentações artísticas e culturais no local. Uma cidade com tão poucas opções de lazer não pode se dar ao luxo de descartar esses eventos.

Outrossim, o Vitória Rock acontecia no período vespertino, raramente terminando após as 20h. Horário perfeitamente
aceitavel... e legal! Imagine se os moradores do Jardim Ouro Verde e adjacências resolvessem se rebelar contra a Grand Expo. Ou se os moradoresdo Núcleo Presidente Geisel não quisessem mais desfiles no Sambódromo. Aliás, mesmo que fizessem de fato alguma reclamação, surtiria algum efeito? Todos sabem a resposta.

Em pleno século XXI os cidadãos com maior poder aquisitivo ainda ditam as regras da nossa sociedade, manipulando os governantes de acordo com seus interesses pessoais.

Não existe mais espaço para esse tipo de preconceito. Só porque os roqueiros têm uma aparência estranha e, às vezes, assustadora,
chocante... não quer dizer que sejam más pessoas, ou pessoas bagunceiras. O evento Rock do Bem é o mais belo exemplo que pode se dar. Numa
sociedade tão egoísta como a que existe hoje é estranho um bando de "malucos" vestidos de preto praticar a caridade? Não para nós! Meus sinceros parabéns a todos que participaram da organização desse belo evento, exemplo de amor e respeito ao próximo.

Em especial ao nosso prefeito e à Secretaria Municipal de Cultura, por terem coragem de fazer o que precisa ser feito. E em nome dos bons momentos que vivi, das amizades que fiz, das
magníficas apresentações que presenciei, peço, em nome de todos os roqueiros de Bauru, a volta do Vitória Rock.


Otávio Augusto Amaral de Calmon Borges - servidor público municipal e
professor

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