Bairros

Pai é acusado de espancar gêmeos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil investiga se dois irmãos gêmeos de 6 anos, um deles portador de necessidades especiais (PNE), vêm sendo vítimas de espancamento e maus-tratos dentro de casa, na Pousada da Esperança, em Bauru. A suspeita é de que o pai delas, um pedreiro de 30 anos, esteja agredindo as crianças violentamente, além de deixá-las sozinhas na residência.

As possíveis agressões e o descaso, que são confirmados pela vizinhança, chegaram ao conhecimento das autoridades ontem, quando o irmão portador de deficiência mental sofreu uma convulsão em casa, por volta das 13h. Como os irmãos estavam sozinhos, foi o gêmeo quem pediu socorro à vizinhança, que acionou a polícia.

Os dois foram levados à unidade básica de saúde da Vila São Paulo com ferimentos por todo o corpo. O menino PNE estava inconsciente quando foi atendido. Questionado, o pai assumiu que havia batido nos filhos com uma vara há cerca de 15 dias e defendeu-se, dizendo que o filho especial sempre desmaia devido a seu problema de saúde.

Até o fechamento desta edição, não houve confirmação de que a criança tenha desfalecido devido a agressões sofridas, mas profissionais que atenderam os garotos disseram que os hematomas indicavam que eles haviam sido espancados recentemente. Ao JC, o pedreiro disse apenas que costuma dar “corretivos” nos filhos na tentativa de educá-los.

“Mas o corretivo que o senhor dá nos seus filhos fica marcado por mais de 15 dias no corpo?”, perguntou a reportagem ao pai, que respondeu. “É isso mesmo”, dizendo que os sinais demoravam mais de 30 dias a desaparecer em um dos filhos devido à sua má-formação congênita e, no outro, porque sofreria com excesso de ácido úrico no sangue.

Depois de serem atendidos, os irmãos foram encaminhados pelo Conselho Tutelar a um abrigo já que a mãe, que não mora com eles, não teria sido localizada. O pai responderá inicialmente por maus-tratos, acusado de expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade. Ele informou que tentará reaver a guarda das crianças.

 

Descaso

Mas, no que depender dos vizinhos, o pedreiro não voltará a ficar com os filhos tão cedo. Segundo moradores do bairro, que preferiram não se identificar, os meninos estariam correndo risco junto ao pai.

Uma das vizinhas teria relatado, inclusive, que o homem já teria atingido os meninos com pedaços de tijolo. “Pelo que fiquei sabendo, é uma mulher que mora na frente da casa que dá banho e comida para as crianças, porque ele não cuida. Hoje (ontem), ele teria saído de casa de manhã e só voltado quando a polícia ligou. Elas têm só 6 anos e ficam o dia todo sozinhas”, conta.

De acordo com ela, seria também a vizinhança que cuidaria dos hematomas das crianças, quando elas supostamente seriam agredidas pelo pai. “Neste último final de semana, essa mesma vizinha estava passando remédio em alguns ferimentos dos meninos. Ela deu banho e trocou a roupa deles. Até hoje (ontem), eles estavam vestindo as mesmas peças. Ou seja, desde então, eles não tomaram mais banho. É um descaso absurdo”, afirma.

Ontem à noite, o JC tentou falar com a delegada que atendeu a ocorrência no Plantão Permanente da Polícia Civil, mas ela não foi encontrada. O Conselho Tutelar também não soube informar qual atendimento e encaminhamento serão dados pela conselheira que acompanha o caso.

 

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