Descendo a ladeira da rua Alto Juruá descontrolado, um Fusca só parou dentro do quarto de uma casa na esquina com a rua Beiruth, ontem, no Jardim Bela Vista. No momento do incidente, às 11h, ninguém estava no dormitório. O motorista Pedro Fernando Faria, 49 anos, teve um corte do lado direito da cabeça e foi levado consciente ao Pronto-Socorro Central (PSC).
O impacto foi tão forte que o carro destruiu um muro e, na sequência, a parede da casa, uma construção antiga de tijolos comuns. O capô do carro ficou dentro do quarto, onde, com o impacto, a cama usada pela moradora Sônia Martins foi empurrada para o outro lado do cômodo.
O genro de Faria, Marcos Antônio dos Santos Júnior, 23 anos, explicou que o motorista teria dito que perdeu o freio do carro na descida da rua Alto Juruá. Com o carro desgovernado, ele desviou a trajetória na esquina com a rua Beiruth, batendo de frente contra o muro da residência número 3-18. Na esquina, as marcas de pneu do Fusca ficaram no asfalto
Irregularidades
O genro do motorista confirmou que ele estava com o licenciamento do veículo vencido. Na busca pelo titular do registro (Renavam) do VW Fusca placas CQK 2488, de Bauru, Pedro Fernando Faria não consta como proprietário, segundo informações obtidas pelo JC. O genro dele esclareceu que o motorista ainda não havia transferido o automóvel para seu nome, após comprá-lo de um terceiro.
Santos acrescentou que o sogro, que está de férias, pretendia regularizar o carro. Segundo o genro, ele arrumou o motor do Fusca e tomaria as providências, começando por regularizar o licenciamento.
Os policiais de trânsito da Polícia Militar (PM) que atenderam a ocorrência solicitaram os documentos do veículo no local do acidente. Segundo a PM, de imediato Faria foi autuado porque o carro não estava licenciado (artigo 230, item V, do Código de Trânsito Brasileiro), considerado infração gravíssima. Ainda de acordo com a PM, ainda seriam apuradas outras eventuais infrações. Após a perícia feita pela Polícia Científica na área, o Fusca seria apreendido no pátio da Ciretran.
O genro de Faria esteve o tempo todo dando assistência à família que reside na casa atingida pelo veículo e disse que os prejuízos ao imóvel serão ressarcidos. Segundo ele, alguns de seus familiares, que são pedreiro e pintor, seriam mobilizados para as obras de reparo.
Cômodo protegido por santos
No quarto invadido pelo Fusca se destacam várias imagens de santos, posicionados de frente para a parede destruída. Diante do tamanho do estrago, o fato que chama a atenção é que ninguém ficou gravemente ferido ou mesmo ocorreu uma tragédia, com mortos.
Policiais e familiares impediram que Sônia Martins entrasse em seu quarto, invadido pelo carro, antes que a Polícia Científica fizesse a perícia do lugar. A cama dela estava posicionada com a cabeceira encostada na parede destruída pelo Fusca. O móvel foi empurrado para o outro lado do cômodo com o impacto.
Intactos, apesar do estrondo, a dona do quarto mantém sobre um móvel as imagens de Nossa Senhora Aparecida, em primeiro plano, Nossa Senhora das Graças, Santo Antônio e Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus. “Tem outros menores, mas...”, comentou a dona da casa, entrando desconsolada para o interior do imóvel.
Outro membro da família que costuma ficar no quarto é o cachorro Tom, um vira-latas que, por sorte, também não estava no local no momento da invasão do carro.
Moradores reclamam de ‘tragédia anunciada’
A ladeira acentuada da rua Alto Juruá, via preferencial de trânsito, convida à distração em relação à velocidade dos condutores. O fluxo de veículos desemboca invariavelmente em uma transversal, a rua São Paulo, que dá acesso à avenida Nuno de Assis.
Um morador da casa atingida no acidente de ontem, que preferiu não se identificar, comentou que já cansou de solicitar à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) a instalação de redutores de velocidade na via. Muito nervoso, ele questionou não entender o que a empresa municipal esperava.
De acordo com outro morador da quadra 3 da Alto Juruá Waldir Bonicontro, o acidente de ontem não foi um caso isolado. Ele diz que as modificações no trânsito nas imediações não vieram com mecanismos que inibam a velocidade. Para ele, se o Fusca não derivasse para a rua Beiruth, teria varado a cerca da recém-construída Praça Paradesportiva, último obstáculo antes do rio Bauru e a uma quadra do acidente.