Tribuna do Leitor

CICLOS ECONÔMICOS X MST


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Todos brasileiros que conhecem um pouco de nossa história sabem dos diversos ciclos econômicos que atravessamos a partir de nosso descobrimento.

Primeiramente, foi simplesmente um extrativismo (pau-brasil), seguido por mineração, ciclo do ouro, cana de açúcar, café etc., até os dias atuais onde predomina a soja. Estou com 80 anos e assisti totalmente a colonização de parte do sul de São Paulo, e totalmente a grande região do norte do Paraná. A epopéia da colonização desta região é tão vasta que daria para escrever diversos livros. Estamos falando da época de predomínio total do café.

Para esta região, imigraram descendentes de italianos, espanhóis, japoneses etc. Vinham com pouco dinheiro, conseguido com muito sacrifício, trabalhando como colonos nas lavouras cafeeiras de São Paulo. Para lá se dirigiram famílias de Bauru, Bariri, Araçatuba, Jaú, Borebi etc., e muitas outras cidades que na época (década de 40, 50, 60) possuíam grandes fazendas de café.

Com o pouquíssimo dinheiro que traziam no bolso, adquiriram lotes de 10, 20 e até 30 hectares, ou melhor, na época a medida agrária mais usada era o alqueire. Levavam consigo esposa, crianças, e lá embrenhavam-se na mata virgem, faziam as chamadas picadas, escolhiam um lugar mais adequado, e lá construíam o chamado rancho.

Feito de pau a pique, coberto de sape, rodeado por todo tipo de animal selvagem, e sujeitando sua família a todo tipo de doença, muito comum na época, como malária, tifo etc. Muitos ainda ajudavam as companhias colonizadoras na construção de estradas para ajudar no pagamento das terras. Plantavam inicialmente algo que desse colheita rápida, para poderem alimentar suas famílias, tais como: abóbora, milho, pepino, enfim, tudo aquilo de ciclo rápido. Criavam muito porco (suínos) não só para consumo como também para vender.

Os primeiros frutos do café vinham com 4 ou 5, às vezes com 6 anos, quando não acontecia uma geada. Aí tinham que esperar mais 4 anos. A maioria dessas pessoas que conheci hoje está com situações econômicas bastante equilibrada. O sul de São Paulo, e principalmente o norte do Paraná, é motivo de muito orgulho para qualquer brasileiro que visita esta região.

Há poucos dias, em viagem pelo Estado do Mato Grosso do Sul e também do Norte, vi inúmeros barracos cobertos com plásticos dos componentes do chamado MST. Aglomeram-se às margens das rodovias, recebem água e alimentos das prefeituras dos municípios. Não cultivam nada nem ao redor de seus ranchos.

Aqui vai um recado a todos os componentes do MST, façam assentamentos legais, se organizem em cooperativas, como fizeram os paranaenses (sem radicalismo de esquerda ou de direita). Eles conseguiram. Por que vocês não? Por favor, deixem de ser mau exemplo às margens das rodovias. Não acreditem nesse paternalismo demagógico oferecido por políticos inescrupulosos, principalmente em épocas eleitorais.


Mário Piubelli

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