Política

Distritos estão expostos contra incêndio

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 6 min

A deficiência de hidrantes em Bauru não deve ser resolvida tão cedo. Na edição de ontem, o Jornal da Cidade mostrou que a antiga rede de água do município é entrave para a instalação desses equipamentos. Ontem, em audiência pública na Câmara a maior preocupação contra a deficiência foi em relação aos Distritos Industriais (DI).

No encontro de ontem, a autarquia expôs outros impasses que podem atravancar o cumprimento da lei que obriga o DAE a instalar os hidrantes doados por proprietários de novas construções com mais de mil metros quadrados.

O caso mais crítico está relacionado aos Distritos Industriais, que foram cenário de grandes incêndios recentemente e não dispõem de hidrantes. Segundo o mapa da rede de água do município, o diâmetro da tubulação desses locais é menor do que 150 milímetros, o mínimo exigido para suportar esses equipamentos de segurança.

O novo presidente do DAE, Fábio Lara, comentou sobre a complexidade da situação, argumentando que a tubulação de água é muito heterogênea sob os aspectos do tamanho e do material dos canos. Segundo o major Rogério Gago, do Corpo de Bombeiros, a tubulação capaz de comportar hidrantes não está concentrada em um local, mas espalhada pela cidade.

No entanto, a bitola do encanamento não é o único problema, pois o DAE ainda não sabe se há vazão suficiente de água nos locais onde o diâmetro da tubulação está de acordo com os padrões técnicos exigidos. A vazão mínima seria mil litros por minuto.

Há cerca de dois meses, a partir do mapa da rede de água de Bauru, o Corpo de Bombeiros identificou 110 pontos que poderiam e precisam ser contemplados com hidrantes.

O diretor da Divisão de Planejamento da autarquia, Cláudio Vara de Aquino, afirmou que a o DAE está analisando a viabilidade de instalação desses pontos em função da vazão de água. No entanto, não estipulou prazo para que essa avaliação seja concluída. "É uma questão emergencial e, a partir disso, os bombeiros devem apontar as prioridades dentre os locais que possam receber hidrantes", pontuou.

Os pontos elencados pelo levantamento do Corpo de Bombeiros abrangem bairros como o Jardim Bela Vista, Jardim América, Parque Vista Alegre, Quinta da Bela Olinda e Vila Nova Esperança. Caso esses 110 hidrantes fossem instalados, o número de equipamentos dobraria em Bauru.

Falta grana?

Os empecilhos do DAE, porém, não ficaram restritos a questões técnicas. O presidente Fábio Lara rebateu críticas de que a autarquia não teria motivos para não instalar de pronto hidrantes adquiridos por proprietários de edificações. Ele afirmou que é preciso encontrar formas de viabilizar o cumprimento da lei, questionando, inclusive, o prazo de 30 dias estabelecido pela legislação para que o DAE instale os equipamentos após o recebimento.

A questão de disponibilidade de recursos também foi elencada por Lara. A instalação dos hidrantes custa, em média, de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil para o DAE. O equipamento completo, comprado por particulares, pode ser adquirido por cerca de R$ 3 mil.

O DAE chegou a questionar, até mesmo, as especificidades técnicas dos hidrantes na legislação, argumentando que elas não seriam compatíveis com as características da rede do município.

O estranhamento é de que essas questões tenham sido levantadas quase um ano e meio depois da aprovação da lei municipal. O DAE não soube informar quantos hidrantes já recebeu ou quantos já foram instalados desde então.


Tendência é de rejeição

Os vereadores presentes na audiência pública afirmaram que vão trabalhar para a rejeição da proposta do Executivo. Até mesmo o ?maior dos governistas?, Carlão do Gás (PR) constatou que, quanto maior a abrangência da lei, mais hidrantes poderão ser instalados em Bauru.

Autor da lei vigente, Gilberto dos Santos (PSDB) também garantiu que vai trabalhar para que a proposta do Executivo seja rejeitada. Moisés Rossi (PPS) enfatizou o contrassenso do poder público. "Por que o prefeito não quer hidrantes? Isso não faz sentido", cutucou.

Na tentativa de amenizar as críticas ao governo, Carlão do Gás leu ofício do comando do Corpo de Bombeiros, assinando pelo tenente-coronel José Guerxis de Aguiar, defendendo as normas adotadas por decreto estadual, que prevê os 5 mil metros. No entanto, o major Rogério Gago voltou a defender a importância de uma lei mais rígida para Bauru.

Diretor do DAE, Cláudio Aquino argumentou que esse critério é adotado em municípios com mais de 200 mil habitantes, em função do maior adensamento populacional.

Apesar de afrouxar os critérios que exigem a compra de hidrantes para edificações, o projeto propõe outra mudança; esta considerada importante. O texto aplica a medida para todos os estabelecimentos do setor de combustíveis e inflamáveis, independentemente da área construída.

Congresso da UJIADI recebe o pastor Geziel

A Assembléia de Deus no Ipiranga, representada pelo presidente regional, pastor Evair Gomes, estará realizando hoje e amanhã, em Bauru, um Congresso de Jovens (UJIADI). Congresso que contará com a presença do pastor Geziel Gomes, que ministrará a palavra de Deus para, aproximadamente, 1.500 pessoas. O palestrante é autor de mais de 46 livros e jornalista desde 1959. Foi presidente por 2 anos do Instituto Filantrópico Evangélico no Rio de Janeiro, por quase duas décadas revisor e depois redator do Mensageiro da Paz, órgão oficial das AD no Brasil, e tem visitado mais de 50 países, na maioria dos quais realizado conferências e Cruzadas Evangelísticas.

Na ocasião, o presidente da Câmara, vereador Pastor Roberval Sakai, entregará o título de Hóspede Oficial do Município de Bauru ao pastor Geziel Gomes, assinado pelo prefeito municipal Rodrigo Agostinho.

Empresários esquentam audiência

A proposta do Poder Executivo de afrouxar a lei, tornando obrigatória a doação de hidrantes para edificações com mais de 5 mil metros quadrados, bem como a lentidão e descumprimento da legislação vigente irritaram o empresariado do município. O projeto tramita na Câmara Municipal.

O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino, critica a possibilidade de mudança na legislação municipal que versa sobre os hidrantes. "Isso é um passo atrás que está sendo dado. O pior disso tudo é que a rede não suporta os hidrantes e o DAE não apresenta um projeto para mudar isso", cutucou.

Segundo Malandrino, os últimos incêndios em Bauru têm ocorrido nos Distritos Industriais e, apesar de causar grandes prejuízos, não afeta diretamente a população. No entanto, o diretor aponta os riscos de acidentes de grandes proporções que podem destruir comércios e residências.

O diretor do Ciesp adotou tom crítico contra o DAE, dizendo que já conhece a ?ladainha? do corpo técnico da autarquia, ameaçando levar o caso ao Ministério Público (MP) caso a lei não seja cumprida. Malandrino sugeriu ainda que o DAE utilize para esta finalidade parte do recurso que será pago pelo município em razão do encontro de dívidas com a prefeitura, aprovado nesta semana pela Câmara Municipal.

Representando a Rede Integrada de Emergência (Rinem), Ricardo Carrijo não poupou críticas ao descumprimento da lei, lembrando que o próprio prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) prometeu doar 20 hidrantes até o final do ano passado. "Será que ele entregou? Será que o DAE instalou", questionou sem obter respostas.

O empresário também atacou o afrouxamento da lei, argumentando que, tornando a obrigação de aquisição de hidrantes para construções maiores de 5 mil metros quadrados, a lei se tornará inócua. "Quantos empreendimentos desse porte tivemos nos últimos anos em Bauru? Vamos continuar sem hidrantes", observou.

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