Durban - No andar de cima do centro de convenções de Durban, o ICC, diplomatas e ministros decidiam o futuro dos manifestantes - e do resto da humanidade - na tentativa de fechar um acordo que produzisse resultados no mundo da burocracia da ONU. Em meio a trocas de acusações e conchavos envolvendo boa parte dos países, a delegação brasileira se saiu bem.
O Brasil, que tem uma conferência ambiental de grande porte (a Rio +20) para sediar no ano que vem, engajou-se de forma decisiva para construir o acordo, após uma série de reuniões secretas com outros países.
Os brasileiros ganharam elogios da União Europeia depois que a ministra Izabella Teixeira anunciou publicamente que aceitaria participar de um novo acordo global vinculante do clima.
Em uma das declarações mais fortes feitas por ministros de Estado durante a conferência, Teixeira disse: “Se todos trabalharmos juntos, poderemos negociar o mais cedo possível um novo instrumento legalmente vinculante sob a convenção, baseado nas recomendações da ciência, que inclua todos os países para o período imediatamente pós-2020”.
Ontem, ajudou a encontrar a linguagem no texto que colocasse os Estados Unidos, o principal recalcitrante, no rumo de aceitar, pela primeira vez desde Kyoto, fazer parte de um acordo legal.
Nem sempre foi assim. Durante muitos anos, o Brasil foi notório pela sua inflexibilidade diante dos países ricos, recusando-se a assumir compromissos de redução de emissões porque não era um grande poluidor histórico. Tal visão já não vigora.