Marília – A Polícia Federal prendeu no início da tarde de ontem o ex-chefe de gabinete e ex-secretário da Fazenda de Marília (100 quilômetros de Bauru), Nelson Virgílio Grancieri. A prisão preventiva do investigado foi pedida pela promotoria de Justiça de Marília, que apura um esquema de “mensalinho” pago a partidos e aliados políticos.
O pedido de detenção teve como fundamento a denúncia já oferecida à Justiça imputando ao investigado crimes de concussão e coação a testemunhas.
O suposto esquema de corrupção teria movimentado cerca de R$ 2 milhões entre julho do ano passado e outubro deste ano.
Afastado dos dois cargos que acumulava na administração do prefeito Mário Bulgarelli (PDT) desde outubro, por força de liminar em ação civil pública movida pelo MP, Grancieri foi preso por volta do meio-dia, em sua residência. A prisão preventiva foi decretada na última quarta-feira pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Marília, a pedido da Promotoria de Justiça local.
Na ação civil, que também tem como réu o ex-assessor de gabinete André Felizario Jacinto, a promotora Rita de Cássia Bérgamo acusa o ex-secretário de exigir 10% do valor a ser recebido por empresa de construção que venceu licitação para realização de obras em três escolas municipais. A propina foi exigida para que fossem liberados pagamentos da prefeitura para a empresa.
Como parte do pagamento da propina exigida por Grancieri, a empresa depositou R$ 14.250,00 na conta bancária dele, além de quitar seus débitos pessoais. A empresa pagou, por exemplo, dois boletos de cartão de crédito da esposa de Grancieri, nos valores de R$ 4 mil e de R$ 1.244,98, além de um boleto no valor de R$ 685,00, emitido por uma loja de material de construção. O cálculo é de que o ex-secretário recebeu indevidamente o total de R$ 75.890,22.
Perícia realizada nos materiais apreendidos na residência de Grancieri revelou evidências de que, durante a sua gestão como chefe de Gabinete e, mesmo depois de afastado do cargo, ele gerenciava um esquema de pagamento de valores incompatível com suas rendas a diversos aliados, partidos políticos e pessoas de Marília, em quantias que ultrapassavam R$ 500 mil por mês.
A ação de ontem complementou a chamada “Operação Dízimo”, realizada pelo MP no dia 24 de novembro, em conjunto com a Polícia Federal de Marília e a Polícia Militar (PM), para o cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão nas cidades de Marília e Bauru. Na ocasião, foram realizadas buscas na Prefeitura de Marília, residências dos investigados, empresas envolvidas na fraude e num jornal semanal mariliense – investigado por ser pago com dinheiro público.
A operação foi resultado de investigações realizadas pela Promotoria de Justiça de Marília, Gaeco e Polícia Federal sobre atos de corrupção, concussão, lavagem de dinheiro e coação de testemunhas envolvendo grupo encabeçado por Grancieri, considerado o “braço direito” do prefeito Mário Bulgarelli (PDT).
A prefeitura informou ontem à noite por meio da assessoria de imprensa que desconhece a suposta lista de beneficiados do esquema de propina que teria sido descoberto em materiais apreendidos na casa do ex-secretário.