Paris - O Reino Unido corre o risco de ficar "isolado e marginalizado" da União Europeia (UE) após a decisão do premiê David Cameron de rejeitar um novo pacto fiscal, alertou ontem o vice-premiê britânico Nick Clegg.
Embora tenha recebido o apoio das alas mais conservadoras e eurocéticas de seu partido, Cameron foi alvo de duras críticas vindas de políticos, analistas e da imprensa britânica.
Líderes europeus reunidos em Bruxelas obtiveram na sexta-feira um acordo para reforçar a disciplina fiscal da zona do euro, com o objetivo de salvar a moeda única, mas fracassaram em incluir tal objetivo no Tratado dos 27, devido à oposição do Reino Unido.
Os europeus também anunciaram sua intenção de reforçar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), para que possa ajudar a zona do euro, em até 200 bilhões de euros.
Todos os países da União Europeia, salvo o Reino Unido, devem aderir finalmente ao pacto fiscal acordado sexta-feira na reunião de cúpula em Bruxelas para prevenir novas crises.
"Os chefes de Estado ou de governo da Bulgária, da República Tcheca, da Dinamarca, da Hungria, da Letônia, da Lituânia, da Romênia e da Suécia indicaram a possibilidade de participar deste processo, após consultar seus Parlamentos, caso seja necessário", afirma a secretaria do Conselho Europeu, em uma declaração divulgada hoje.
Depois de mais de dez horas de reunião, concluída na madrugada desta sexta-feira, circulou a informação de que Reino Unido e Hungria teriam se oposto a subscrever o dito pacto fiscal, enquanto Suécia e a República Tcheca pediam mais tempo para consultar seus respectivos Parlamentos antes de tomar uma postura definitiva.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, se negou categoricamente na quinta-feira a aceitar a reforma dos tratados proposta pelo eixo franco-alemão para evitar um endurecimento da regulação sobre o setor financeiro de Londres.
Com a recusa do Reino Unido, a UE teve de aceitar uma divisão para adotar as normas de disciplina orçamentária.
Os líderes - que estiveram reunidos até as 5h da madrugada - fizeram acordos como acelerar em um ano a entrada em vigor do fundo de resgate permanente e dotar o FMI (Fundo Monetário Internacional) com Ç 200 bilhões de euros (cerca de US$ 270 bilhões) para ajudar países em crise.
França nega recessão
Paris - Em entrevista à TV, a ministra do Orçamento da França, Valérie Pécresse, disse ontem que o governo confia na capacidade de os bancos franceses atingidos pela crise se recapitalizarem sozinhos, e que o Estado não injetará recursos nestas instituições. Ela manteve ainda a previsão de crescimento econômico de 1% para 2012 e negou que o país esteja em recessão, mas assinalou que Paris estabeleceu uma reserva de 6 bilhões de euros para enfrentar uma expansão de apenas 0,4%.
As declarações chegam três dias após a Autoridade Bancária Europeia (EBA) ter revisado para baixo o valor de que os bancos franceses necessitam para se recuperarem da crise, de 8,8 bilhões para 7,3 bilhões de euros.
Pouco depois, o diretor do Banco da França, Christian Noyer, também estimou que as instituições financeiras francesas poderão se recompor da turbulência "sem problemas".
Comentando as estimativas para o desenvolvimento da economia francesa no ano que vem, a ministra do Orçamento manteve ontem a previsão de crescimento econômico de 1% para 2012, mas assinalou que seu governo estabeleceu uma reserva de 6 bilhões de euros para enfrentar uma expansão de apenas 0,4%.
Pécresse negou que a França esteja em recessão, disse que a situação do país é de "crescimento muito desacelerado" e destacou que, de qualquer maneira, "temos um objetivo de recuperação das contas públicas".
Ela ressaltou que a França respeitará a meta de terminar este ano com um déficit de 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB).
Quanto a 2012, a ministra assinalou que, mesmo que se cumpram as previsões de alguns institutos -que calculam uma progressão do PIB limitada em torno de 0,5%-, elas entrariam dentro da margem estabelecida pelo Executivo, que congelou 6 bilhões de euros em seu orçamento.