Polícia

Noivo em fúria está preso a leito

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de fugir da própria festa de casamento, Eder Francisco Batista Pires, 26 anos, precisou ser atado ao leito do quarto onde foi internado, em um hospital particular de Bauru. A medida visa garantir a integridade física do paciente e de profissionais da unidade, já que o rapaz voltou a se exaltar várias vezes durante a madrugada e manhã de ontem.

Conforme o JC divulgou na edição de ontem, na noite de sábado Eder sofreu um surto momentos antes do início da festa de seu casamento, num salão instalado no Jardim Carolina. Depois de sair correndo pelas ruas, ele tirou a roupa e bateu a cabeça contra muros das casas vizinhas, além de agredir quem tentasse ajudá-lo.

Contido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ele foi levado para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Mary Dota, onde, durante a madrugada de domingo, destruiu vários equipamentos e tentou enforcar um funcionário. Eder foi encaminhado ao pronto-atendimento de um hospital particular e, na madrugada de ontem, tentou fugir.

Ele chegou a alcançar a portaria da unidade, mas foi controlado por seguranças. De volta ao hospital, o rapaz voltou a se exaltar em várias ocasiões, segundo informações da assessoria de imprensa. Desta vez, nenhum funcionário foi ferido ou equipamento danificado.

Pelo risco que o paciente representava para as equipes e para si mesmo, os médicos decidiram interná-lo e medicá-lo com calmantes, por volta das 9h45. Mas, mesmo sob o efeito de remédios, Eder teria demonstrado agitação e agressividade. Por este motivo, ele precisou ser amarrado ao leito do hospital ainda no período da manhã.

Ao longo do dia, o paciente foi submetido à avaliação de um psiquiatra, que não teria chegado a um diagnóstico conclusivo que pudesse explicar a causa do surto. Como o rapaz ainda apresentava oscilações de humor, a recomendação foi de que continuasse internado em observação, sem previsão para receber alta médica.

A noiva de Eder, identificada apenas como Natália, permaneceu durante todo o dia de ontem no hospital, à espera de notícias do marido que a abandonou na porta do salão onde seria realizada a festa de casamento. Procurada pelo JC, ela demonstrou irritação com o assédio da imprensa - já que o caso ganhou repercussão nacional, disse que ainda estava nervosa com o ocorrido, mas que aguardava Eder recobrar a plena consciência para que ambos pudessem conversar.

“Ele está sedado e ainda não consegui sentar para conversar sobre nada. Primeiro, ele precisa se recuperar”, disse. A mulher - que já vive há dois anos e meio com o rapaz, com quem tem uma criança de quase 2 anos - voltou a afirmar o que uma parente já havia adiantado com exclusividade ao JC, anteontem: Eder nunca teria apresentado qualquer problema psicológico semelhante anteriormente. “Sempre tivemos uma vida normal”, disse ela, encerrando a entrevista.

 

Corpo de delito

Na tarde de ontem, o vigilante agredido por Eder na UPA do Mary Dota, Dirceu Barsotti, 42 anos, foi submetido a exame de corpo de delito e registrou boletim de ocorrência contra o rapaz por lesão corporal. Ele foi ferido no pescoço depois de quase ser estrangulado com um fio de computador, além de sofrer várias escoriações pelo corpo, incluindo um olho roxo, durante a tentativa de conter o paciente, que já havia danificado um computador, uma impressora, cadeiras, macas, um telefone e um monitor de LCD, entre outros objetos.

“Ele é bem maior do que eu e estava totalmente fora de si”, relembra. Conforme o JC divulgou, o vigilante relatou que chegou a perder a consciência por duas vezes, mas conseguiu se soltar do fio e fugir. Com a chegada da Polícia Militar, Eder foi capturado nos arredores da unidade totalmente nu. Além de responder pelas lesões causadas, ele será responsabilizado pelos danos ao patrimônio municipal.

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