Carros e motos de hoje estão muito diferentes do que eram há 40 anos atrás, e não apenas na aparência. Sua maneira de construir e principalmente os materiais utilizados evoluíram muito.
Nas décadas de 60 e 70 ainda tínhamos carros com chassi e carroceria como os Ford Galaxie e Landau, Dodge Dart e Charger, Linha VW a ar completa como Fusca, Brasília, Variant, Kombi, por exemplo, o que hoje se substituiu todos os projetos para monobloco, ficando o chassi restrito para aplicações de transporte de carga ou fora de estrada. Os automóveis monoblocos têm uma carroceria autoportante e dispensam o chassi pois os agregados, como são chamados os eixos, suspensão, motor e transmissão são diretamente fixados ao monobloco. Isto cria um conjunto muito mais rígido e leve, melhorando o desempenho dinâmico ao rodar.
Alguns carros daquela época ainda tinham painéis de instrumentos em aço, como a linha VW, Opala e Corcel (dava até para grudar bobagens com ímã, lembra-se?), o que hoje é tudo de plástico. Com isso, ganhou-se mais segurança passiva para os passageiros e economia de peso e custo de produção.
Os pneus estavam migrando de diagonais para radiais, mas nem se comparavam aos de hoje em durabilidade e eficiência. O desenvolvimento de novos materiais para os pneus está reduzindo seu peso e a resistência ao rolamento, deixando o carro ou moto mais eficiente. Os parachoques eram de chapa de aço cromado, hoje é tudo de plástico com espuma injetada. As peças da carroceria eram todas de aço e soldadas entre si, hoje existem colas especiais que permitem uma adesão perfeita entre materiais diferentes, possibilitando o uso simultâneo de partes em aço e de alumínio. E por aí vai.
Isto evidencia uma mudança drástica na composição e na qualidade dos materiais utilizados. Os chamados plásticos de engenharia vieram para resolver diversos problemas de fabricação e de custos, permitindo fazer componentes muito mais sofisticados de forma mais barata e com menos usinagem e manutenção. Os painéis de instrumento em plástico permitem que eles sejam completamente montados em uma linha paralela e depois incorporados completos à linha de montagem principal, agilizando a produção e reduzindo os custos.
Nas carrocerias, o uso intensivo de plásticos reforçados em componentes internos e externos faz com que seu peso seja reduzido, ajudando na redução de emissões e de consumo de combustível. Nesta fase, não se exclui o uso do alumínio nas carrocerias e componentes da transmissão, como blocos de motor, cabeçotes, caixas de embreagem e transmissão, rodas, etc.
O grande desafio do momento é a nanotecnologia, que é a ciência da manipulação de materiais a nível molecular. Com este domínio, poderemos obter uma redução de até 70% de peso do plástico em algumas peças, sem perder a rigidez. Já pensou?
Hoje em dia, o plástico de engenharia automotivo já representa cerca de 15% em peso de um carro pequeno. A tendência é crescer mais esta participação em um futuro próximo. Plásticos especiais como a poliamida estão sendo usados no motor, como em coletores de admissão, tubulações e filtros de ar. Outros termoplásticos são usados em grades frontais, espelhos retrovisores, grelhas de ventilação, etc.
Os faróis hoje não são mais com lentes externas em vidro e refletores parabólicos de metal cromado, mas com refletores internos (de plástico) e coberturas lisas externas, em policarbonato. Este uso de resinas nobres permite a confecção de novas formas mais arrojadas para os faróis, que seriam quase impossíveis antigamente (a um custo decente) com o vidro.
As próprias lâmpadas dos faróis e lanternas, que eram quase que exclusivamente de filamento no passado (apenas alguns faróis de longo alcance usavam lâmpadas de iodo), hoje são mais sofisticadas e oferecem uma gama enorme de opções no mercado, com maior poder de iluminação e durabilidade. Surgiram as lâmpadas de xenon e os LED de alto brilho, que estão dominando as novas lanternas frontais e traseiras nos novos projetos. E tem muito mais coisa boa vindo, já que com o aumento da produção o preço cai e seu uso se populariza. Que venham!