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Mãe seria usuária de crack e a avó Vânia Trindade quer ficar com o bebê |
Após dar à luz, uma mulher usuária de crack fugiu com seu filho recém-nascido pela porta da frente da Maternidade Santa Isabel na tarde de ontem, em Bauru. Identificada pela família como Amanda Cristina Trindade, 30 anos, a mãe teria fugido da unidade com o filho no colo após saber que ele não teria alta médica no mesmo dia em que ela. Até o fechamento desta edição ela continuava desaparecida, após deixar o bebê na casa de uma amiga.
De acordo com os policiais que atenderam a ocorrência, a mulher saiu da maternidade e, na fuga, chegou a pular um muro com o bebê no colo. A Polícia Militar recebeu a denúncia de que o paradeiro dela teria sido a casa de uma amiga no Núcleo Fortunato Rocha Lima. Ao chegarem na residência, os policiais conseguiram a autorização da moça para entrar no imóvel. O bebê foi encontrado em cima de uma cama num dos cômodos da casa, que segundo informações prestadas pela PM, seria ponto de tráfico de drogas.
Ao saber da movimentação no bairro, Vânia Maria Trindade, 66 anos, foi informada de que aquele seria seu neto e acompanhou a equipe da PM ao Plantão Policial. Lá chegando, o Conselho Tutelar foi comunicado sobre o caso. A criança, de apenas 4 dias de vida, foi levada pelos conselheiros junto com a avó e a tia, Maria Elida Trindade do Nascimento, 23 anos, de volta para a maternidade.
“Eu estava na minha casa lavando louça e recebi uma ligação de uma amiga que contou o que estava acontecendo. Ela disse que minha irmã tinha fugido e que o Fortunato estava cheio de polícia. Quando eu estava no ônibus para ir até lá fui avisada que a PM já tinha levado o bebê para a delegacia”, contou Maria Elida.
Conforme informou a presidente do Conselho Tutelar, Roberta Maria Almeida de Oliveira, a criança estaria abaixo do peso e não havia sido liberada pelo hospital, por isso precisou ser levada às pressas para a unidade. “O bebê estava com fome. Ficamos sabendo que a mãe chegou a pular um muro com o filho no colo. Ele também precisava de um banho”, informou Roberta.
Por volta das 15h30 de ontem, o bebê retornou ao hospital. Segundo informou a conselheira, ele passará por acompanhamento médico para apurar se sofreu alguma lesão. O fato de a mulher ter informado ser usuária de drogas ao dar entrada na internação trouxe mais cuidados ao caso, segundo explica o juiz da Vara da Infância e Juventude de Bauru, Ubirajara Maintinguer.
“Com certeza algum assistente deve ter dito para a mãe da criança que iria comunicar o Fórum caso ela saísse com o bebê de lá do hospital. Ela pode ter ficado com medo e por isso pegou a criança e fugiu antes que fosse dada alta”, avalia o juiz, que ainda não havia sido informado sobre o caso no momento em que conversou com a reportagem do Jornal da Cidade.
Usuária de crack
Segundo a tia do bebê, Maria Elida Trindade do Nascimento, sua irmã Amanda Cristina Trindade é usuária de crack há quase dez anos e teria “entrado nas drogas” após a morte de seu primeiro filho.
“Ela teve quatro filhos, mas o primeiro faleceu quando ia completar 2 aninhos. Também tem a menina que hoje mora com a minha mãe e irá fazer 10 anos. O terceiro filho, de 7 anos, mora no Peru com a tia dele, que é irmã do pai. Ela teve também outro filho que irá fazer 4 anos, e agora esse bebê”, disse.
A avó e a tia manifestaram à reportagem do JC o desejo de ficar com bebê, já que consideram a mãe incapaz de cuidar do filho na atual situação de envolvimento com drogas. “Apesar de não ter sido registrado, já demos até um nome para ele. Não queremos que ele vá para adoção. Vamos fazer de tudo. Moro com a minha sogra e ela já disse que eu posso levar a criança”, disse a tia do bebê.
Entretanto, segundo o juiz Ubirajara Maintinguer, apesar de a família ter preferência, será realizada uma investigação para verificar as condições para receber o bebê. “Se a avó e a tia já sustentam outras crianças, isso deverá ser levado em conta. Na hipótese da mãe, o fato de ela ser dependente química também é avaliado, afinal, o ECA diz que a criança tem direito de ser criada em um ambiente livre de drogas e usuários”, finaliza.
