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Mãe de vítima doa bicicleta ganha em ação contra armas

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 3 min

O tiro que ceifou a vida de Lucas Cardoso Gomes, de 11 anos, no dia 25 de novembro, em Bauru, foi mais uma tragédia que abalou a cidade. Ele foi atingido acidentalmente por um disparo feito pelo irmão de 14 anos, que manuseava uma arma de propriedade de seu pai quando os dois estavam sozinhos em casa, no Núcleo Edson Francisco da Silva.

Pouco antes da tragédia, Lucas havia acabado de ganhar uma bicicleta no sorteio da Campanha do Desarmamento Infantil realizada pela Polícia Militar (PM). Na ocasião, assim como milhares de crianças, ele levou para o colégio uma arma de brinquedo que foi trocada por doces e que lhe deu o direito de concorrer a uma bicicleta.

Mesmo ainda convivendo com momentos de dor pela perda, os pais do menino resolveram levar o prêmio de volta ao colégio em que ele estudava desde setembro deste ano, a Escola Estadual Salvador Filardi, solicitando que fosse novamente sorteada entre os colegas de classe. "Fizemos isso porque sabemos que se ele estivesse aqui ficaria muito contente, pois era uma criança muito boa e tinha um grande coração", afirma Sandra Cardoso, mãe de Lucas.

Segundo a direção da escola, o avô do garoto levou a bicicleta no último dia 2, quando ficou decidido que seria realizado um concurso de produção de texto entre os alunos da 4ª série B, a classe do garoto de 11 anos. Segundo a vice-diretora da escola, Mabel Fialho, "a notícia utilizada como referência para a produção foi ?Campanha de desarmamento atinge marca de 30 mil armas recolhidas?, extraída do site do Ministério da Justiça e publicada no dia 17 de novembro", pouco mais de uma semana antes da morte do garoto.

"A família dele nos procurou oferecendo a bicicleta, pois não conseguiam vê-la que lembravam ainda mais dele", afirma, emocionada, a diretora Stella Regina de Azevedo Garcia.

A aluna vencedora da melhor produção (leia ao lado) foi Débora Candido Ramos, que recebeu a bicicleta no dia 5, na presença dos pais e avô de seu ex-colega de classe, num momento de muita emoção. "Nessa época de Natal, acredito que o melhor a ser feito foi isso. Ao menos podemos proporcionar um momento de alegria para uma criança nesse momento de tristeza que passamos", diz a mãe de Lucas.

Pai de Débora, Paulo Sérgio Mafra Ramos conta que ficou contente com a premiação, apesar de ainda estar comovido com a tragédia. "Conhecia um pouco a família dele, seu pai era cliente meu aqui em minha oficina. Minha filha dizia que o Lucas era um garoto bom, não era bagunceiro. Ficamos muito tristes com tudo que aconteceu. Apesar do presente que minha filha acabou ganhando, a perda dele é irreparável".


Tristeza


Assim como a família, colegas de sala de aula e até mesmo funcionários da Escola Estadual Salvador Filardi ainda se mostram chocados com o ocorrido. A diretora do colégio conta que, no mesmo dia da tragédia, teve a difícil tarefa de comunicar os demais alunos sobre a morte de Lucas.

"Ficamos sabendo apenas no final do período e resolvemos comunicar a todos. Reunimos os alunos e explicamos que naquele momento havíamos perdido um ?coleguinha?. Também comentamos que existem algumas situações que geram consequências e, infelizmente, essa foi uma muito dolorosa", conta, emocionada.

A mãe de Lucas, que também tem outro filho de 4 anos, conta que o irmão que disparou acidentalmente o revólver ainda está muito abalado. "Todos estamos muito tristes. É muito difícil", desabafa Sandra.

A arma disparada foi um revólver modelo Taurus calibre 38 de propriedade do pai dos garotos, um agente penitenciário de muralha e escolta que trabalha da Penitenciária 1 de Balbinos e que está separado da mãe. O delegado de plantão no dia do incidente, Mário Henrique de Oliveira Ramos, esclareceu que a arma era registrada e o proprietário tinha autorização (porte de arma). O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

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