Há tempos comento que Bauru fica a reboque de crescer por si própria, pois não tem nenhum atrativo para formação de um parque industrial gerador de mais empregos, melhor qualidade de vida aos bauruenses que a médio e longo prazo serão fomentadores de benefícios econômicos para a cidade. A isenção tributária de hoje tem que ser considerada um investimento e perda de recursos, pois a médio e longo prazo vai gerar mais receita ao município. A prefeitura também tem como função prover mudança entre os tributos que arrecada para atrair empresas que desejam se instalar na cidade, assim como para as empresas já estabelecidas no município e que pretendam expandir. Apenas tem que ter o cuidado de ter regras claras e isonômicas. Temos exemplos vencedores como o da cidade de Jundiaí que está finalizando um projeto de lei dando incentivos à industria de montagem de equipamentos eletrônicos prevendo redução do ISS, IPTU e ITBI. Entre as empresas simplesmente estão a Taiwanesa Foxconn, que produzirá iPads e iPhones para a Apple, e a Itautec, produtora de computadores a caixas eletrônicos.
Só a Foxconn já investiu R$ 300 milhões em 2011 e pretende ampliar seus investimentos na cidade em 2012 em aproximadamente R$ 160 milhões. A AOC, fábrica de monitores, a Compal e a Arima, montadoras de equipamentos eletrônicos de celulares a computadores, também pretende se instalar na cidade de Jundiaí neste próximo ano. Agora que Jundiaí em parceria com o governo federal vai estruturar a instalação de seu parque tecnológico visando formação de mão de obra especializada para suprir as demandas das indústrias ali instaladas. Outros exemplos vencedores são Recife e Porto Alegre. Porto Alegre criou o Parque Tecnológico do Vale dos Sinos, com incentivos para instalação das indústrias aliados a formação de mão de obra especializada com fornecimento de cursos técnicos sem ônus para os estudantes, visando suprir a necessidade mão de obra qualificada para empregabilidade dos moradores de sua macrorregião.
Bauru já conta com ETC e FATEC e poderá também ter um centro de formação técnica federal, portanto seria aconselhável verificar o perfil dos cursos oferecidos e aí estimular o crescimento industrial da cidade, compatível com a mão de obra a ser oferecida a partir das escolas técnicas aqui instaladas. Hoje vivemos um verdadeiro apagão de mão de obra, a definição clara de quais as empresas podem pleitear estes benefícios e de preferência com a vocação estudantil da cidade.
Um planejamento técnico, orçamentário e de especificidade do potencial técnico e intelectual da cidade seria importantíssimo de médio e em longo prazo. Considerar o parque estudantil é permitir crescimento ordenado e utilização da mão de obra formada na cidade, maior aporte de captação de tributos e em um segundo tempo, melhora da qualidade de vida para os bauruenses. Bauru também tem posicionamento logístico privilegiado.
O foco de atuação do executivo não deve somente se restringir aos incentivos fiscais para atrair empresas. A prefeitura tem por obrigação ser ágil nos processos de concessão dos benefícios promovendo a redução da burocracia que as empresas têm que enfrentar para se oficializarem. No âmbito federal temos o Simples, porque no âmbito municipal não ternos o Empresa Fácil que concentre em um único setor da prefeitura todas as instâncias que analisam as licenças para a instalação das indústrias. Isto com certeza reduziria muito o tempo de liberação da documentação das empresas que quisessem se instalar em Bauru. Bauru tem, deve e merece crescer, já o faz por si só, imaginem se tiver ajuda.
A autora, Telma Gobbi, é médica e colaboradora de Opinião